BRASÍLIA - Candidato mais rico do país, o empresário João Pinheiro (PRTB), ficou em quinto lugar na disputa pela prefeitura de Marília, no interior de São Paulo. Com R$ 2,8 bilhões declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele recebeu 3.397 votos, que representam apenas 3% dos votos válidos.
O vencedor foi o deputado estadual Vinícius Camarinha (PSDB), eleito com 62.050 votos (54,7% dos votos válidos). Em seguida, vieram Ricardinho Mustafa (PL), com 22.713 votos (20%), Garcia da Hadassa (Novo), com 18.625 votos (16,4%), e Nayara Mazini (Psol), que conquistou 6.414 votos (5,7%).
Do total de bens declarados por João Pinheiro à Justiça Eleitoral, 95% correspondem a cotas de capital da empresa Sugar Brazil, especializada na comercialização de commodities, da qual ele é o dono. A companhia presta assessoria para transações de compra e venda de açúcar, etanol, soja, milho e minérios.
O patrimônio declarado por João Pinheiro ao TSE é maior que as receitas do município de Marília, que tem o orçamento para 2024 estimado em R$ 1,6 bilhão.
O empresário ostenta sua fortuna nas redes sociais, com fotos e vídeos em jatinhos – ele diz ter oito aviões, sendo cinco jatos e três bimotores, além de três helicópteros e 12 carros. No entanto, nenhum desses bens foi declarado no registro de candidatura dele ao TSE.
Durante a campanha, João Pinheiro realizou uma “carreta de ostentação” com a presença de Porsche, Ferrari e um helicóptero ocupando a avenida João Martins Coelho, uma das principais vias de Marília.
Condenado por estelionato
Na sexta-feira (5), o Estadão revelou que João Pinheiro foi condenado, em agosto deste ano, a dois anos e seis meses de prisão – transformada em pagamento de multa e prestação de serviço à comunidade – pelo crime de estelionato.
Segundo a decisão da 3ª Vara Criminal de Marília, que cabe recurso, o delito se deu após o empresário vender nove tanques de armazenamento de álcool avaliados em R$ 950 mil sem ter a posse dos bens, segundo decisão da 3ª Vara Criminal de Marília. O advogado Luiz Eduardo Gaio Júnior, que representa João Pinheiro, afirmou que vai ser feita uma nova apelação para reverter a condenação.
João Pinheiro também foi denunciado por um empresário do ramo açucareiro dos Estados Unidos, que o acusou de descumprir um contrato de US$ 6,8 milhões (R$ 37,2 milhões) e de não entregar uma carga de 20 mil toneladas de açúcar.
João Pinheiro é aliado de Pablo Marçal (PRTB), que ficou de fora do segundo turno na cidade de São Paulo após votação acirrada neste domingo, e de Leonardo Avalanche, que comanda nacionalmente o PRTB. Durante a campanha, Pinheiro publicou vídeos onde Marçal pedia votos para ele. O autodenominado ex-coach também tem condenação e enfrenta outros processos nas áreas cível e criminal.