A chapa de Alexandre Kalil (PDT) para as eleições de 2026 segue com todas as vagas em aberto. A única certeza é de que o ex-prefeito de Belo Horizonte e pré-candidato do PDT estará na disputa ao cargo de governador de Minas Gerais. Mas, até o momento, a vaga para vice-governador e os candidatos que disputarão o Senado pela coalizão continuam indefinidos. Segundo o próprio Kalil, as articulações políticas com possíveis aliados ainda estão na “fase do namoro”.

Em entrevista ao programa Café com Política, exibido no canal de O TEMPO no YouTube, Kalil afirmou que mantém conversas com diferentes legendas e brincou ao dizer que está “flertando” com diversos partidos, mas estabeleceu exceções a dois adversários políticos.

“Eu estive com o presidente nacional da Rede, com o presidente nacional do PSDB. Também estive com o presidente do PT. Estou conversando... Tem o PSB também, que nós estamos conversando e estamos namorando, tem União Brasil. Nós estamos de namoro com um monte de gente”, brincou Kalil.

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Questionado que legendas estariam vetadas em uma eventual composição, o ex-prefeito foi direto: “Acho que o PL e o Novo”.

Apesar de todas essas conversas, no entanto, o pré-candidato se esquivou de falar de quem estaria “mais perto”, principalmente em relação a PT e PSDB. “Estou mais perto de quem quer governar Minas, de quem está preocupado com Minas”, afirmou. Ao justificar essa indefinição, Kalil disse que existem muitos fatores a serem analisados, inclusive a opinião da família.

“É uma dúvida mesmo. É porque político não sabe falar 'não sei'. Essa dúvida passa por onde? É por onde me sinto mais confortável? O que minha família se sente? Porque ela é importante nesse debate comigo, onde ela se sente mais confortável”.

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Nos bastidores, a explicação é que o pré-candidato busca ampliar seu arco de alianças para afastar a narrativa de que estaria isolado politicamente. Segundo Kalil, as dúvidas sobre sua candidatura fazem parte de uma tentativa de enfraquecer seu projeto eleitoral. “Diziam que o Kalil não tinha partido, que eu estava isolado. Antes disso, diziam: ‘Kalil está morto para a política’. Mas aí o Kalil teve partido e agora dizem que não serei candidato. Então, é esse pavor de ver o número do Kalil na eleição”, declarou.

O ex-prefeito também afirmou que não pretende disputar outro cargo e reforçou que seu foco é a corrida pelo governo estadual. Para Kalil, o próprio interesse de diversas legendas em procurá-lo é um indicativo de que está no caminho certo. “Está todo mundo me cortejando e eu não vou ser candidato (a governador)? Então eu vou ser candidato mesmo”, disse, para em seguida complementar: “Mas não é isso tudo não”.

Ainda assim, admitiu que as negociações para a formação da chapa seguem sem definição. Segundo ele, as decisões dependem das negociações com os partidos envolvidos. “Se estivesse na minha mão, decidiria, mas não está. Nós estamos negociando. Nós estamos numa mesa. Então, se estivesse na minha mão eu já tinha resolvido, mas infelizmente não está. Nós temos que conversar com todo mundo. Cada um tem seu prazo e tem que respeitar”, afirmou.

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União Brasil no radar

Entre os partidos cortejados por Kalil está o União Brasil, legenda que tem o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, como um dos articuladores das conversas para uma possível aliança. A sigla integra uma federação com o PP, que já trabalha com a pré-candidatura do ex-deputado e ex-secretário de Governo na gestão Romeu Zema (Novo), Marcelo Aro, ao Senado.

A aproximação chama atenção porque Kalil e integrantes do grupo político de Aro protagonizaram embates pesados durante o período em que o pedetista comandou a Prefeitura de Belo Horizonte, até 2022. Um dos episódios mais marcantes envolveu a deputada federal Nely Aquino (Podemos), aliada de Aro e então presidente da Câmara Municipal. Os dois chegaram a levar a disputa ao Poder Judiciário.

Questionado sobre a possibilidade de Marcelo Aro integrar a chapa, Kalil preferiu não antecipar cenários. “Nós estamos conversando com a União Brasil. Não conseguimos nem o PP ainda. Você já está lá no senador do PP. Eu sou mais lento nesse negócio. Um passo de cada vez”, respondeu.