Conduzido pelo cantor, compositor, multi-instrumentista e capitão de Congado, Mauricio Tizumba, o show “Caixeiros do Rosário” reúne tocadores de caixa congadeira de diversas guardas de Minas Gerais, em uma experiência artística diferente dos festejos de rua. O espetáculo, que evidencia a importância dos homens pretos caixeiros de Congado, circulará por seis diferentes cidades de Minas Gerais, a partir deste mês. O projeto tem patrocínio da CEMIG, via Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais.
No dia 31/8, domingo, às 18h, no Complexo Teatro Gravatá, em Divinópolis, acontece a primeira apresentação da circulação. Às 14h, no mesmo local, será realizada uma roda de conversa com Maurício Tizumba, que celebra mais de 50 anos de carreira. A entrada para ambas as programações é gratuita, sujeita a lotação do espaço. Ainda este ano, o espetáculo segue para Uberlândia, em novembro, e Oliveira, em data a definir.
O projeto busca contribuir para valorizar e difundir a cultura banto-mineira tanto em sua manifestação tradicional quanto nas influências que exerce na música e nas artes de uma forma geral. “Esse projeto nasceu com o objetivo de fortalecer essa música, esse universo, essa percussão. São homens pretos tocando os tambores congadeiros. Escolhi de dois a três caixeiros de cada irmandade convidada”, afirma Tizumba.
“Os caixeiros do Rosário são homens pretos, trabalhadores comuns, que assumem uma grande importância de levar a música para o Reinado. Eles tocam tambores que são muito importantes para as irmandades dentro daquele ritual, daquele processo”, explica o artista. “No espetáculo, a gente traz esses pretos para outro lugar, fora do Reinado. Um lugar que é de arte, mas que também é de oração. Que não é a linha reta da rua, mas a meia-lua do palco”.
Tizumba revela que, além do repertório clássico do Reinado, o espetáculo inclui músicas autorais dele, como “Sá Rainha”, e de Sérgio Pererê, como “Coração de Marujo”, além de surpresas. “É um show em que cabe ‘Caxangá’ ou o ‘Cio da Terra’, de Milton Nascimento, por exemplo. Os tambores tem muitas possibilidades. Quando tocados na rua, são divididos em naipes, é complexo. No palco, é sempre um desafio muito gostoso para mim e para os caixeiros”.
História
O Reinado, popularmente conhecido como Congado, se constitui a partir do mito da retirada de Nossa Senhora do Rosário do mar pelos negros escravizados e é a mais tradicional manifestação da cultura banto que floresceu em Minas Gerais. Em um estado fundado em princípios escravocratas e patriarcais como foi o mineiro, não é de se surpreender que essa cultura negra que aqui floresceu – e foi um dos principais baluartes de construção de nossa identidade cultural – ainda seja obscurecida pelo manto da invisibilidade, do não-reconhecimento e do preconceito.
Para Tizumba, projetos são importantes também para evitar o embranquecimento da história e combater o preconceito. “Tudo que é ‘de preto’ e dá muito certo acaba deixando de ser ‘de preto’. Por isso, o projeto protagoniza o preto, porque essa é uma manifestação preta que parte das terras mineiras”, crava Tizumba. “Quem for ao espetáculo pode esperar muita alegria, muita positividade. Uma festa de preto que é diferente de pagode, de samba, de axé music. Uma manifestação afro-brasileira muito potente.
SERVIÇO | “Maurício Tizumba e Caixeiros do Rosário” em Divinópolis
Quando. 31/8 (domingo), às 18h (apresentação) e às 14h (roda de conversa)
Onde. Complexo Teatro Gravatá (Alameda Doutor Waldemar Rausch, s/n – Santa Clara – Divinópolis)
Quanto. Entrada gratuita, sujeita a lotação do espaço