Festival

Pinceis à mão e som na caixa

Desta quinta (4) a sábado (6), Traço – Música e Desenho ao Vivo promove apresentações musicais e performances artísticas inéditas

Por lucas buzatti
Publicado em 04 de agosto de 2016 | 03:00
 
 
 

Esqueça aquela imagem do desenhista solitário, debruçado sobre a mesa de um estúdio melancólico, esperando por inspiração. Tudo bem que essa é uma cena comum à rotina de muitos desenhistas, mas no festival Traço – Música e Desenho ao Vivo a dinâmica de criação é diferente. Criado em 2014, o evento propõe o diálogo direto entre música e artes visuais: enquanto uma banda se apresenta, um artista cria desenhos inéditos, projetados para o público em um telão.

Celebrando dois anos de atividades, o Traço realiza uma nova edição entre hoje e sábado, n’A Autêntica, com programação totalmente gratuita. Durante os três dias, serão sete apresentações de música e desenho ao vivo, além de performances, debates e lançamentos de livros. Hoje, o festival recebe o shows de Di Souza, com desenhos da mineira Criola, e de Iconili, cujos rabiscos ficam por conta do quadrinista carioca André Dahmer.

“O desenho é uma atividade solitária e, de repente, você está ali desenhando para tanta gente ver”, reflete Dahmer, que vem ao festival pela primeira vez. “Escutei algumas músicas do Iconili e achei a banda bem legal, isso também ajuda bastante. Sem contar que é uma oportunidade de voltar a BH e de me divertir. Porque trabalho foi feito para o prazer, não para o sofrer”, filosofa o desenhista, que também lança, hoje, o livro “Quadrinhos dos anos 10”, uma compilação de sua célebre tirinha sobre comportamento e tecnologia.

Na sexta-feira, O Lendário Chucrobillyman, de Curitiba, se apresenta enquanto o quadrinista paulistano Rafael Coutinho desenha. No mesmo dia, o desenhista mineiro Jão, um dos realizadores do festival, rabisca ao som do Fadarobocoptubarão, que fará seu show de despedida. “Apesar de termos lançado um disco recentemente, esta apresentação vai ser a nossa última. A banda já tinha dado um tempo e vai aproveitar para fechar com chave de ouro”, afirma o guitarrista Thiago Machado, lembrando que música e desenho sempre andaram juntos nas atividades do grupo instrumental. “Temos um integrante que é cartunista, o Batista. E, como não tem letras, muitos títulos das músicas vêm desse imaginário do universo dos quadrinhos. O quadrinho é um tipo de arte que sempre foi parceira do rock”, completa.

As combinações Astigmatrio com Alves, Sara Não Tem Nome com Lovelove6 e Curumin com Karina Buhr fecham a programação de apresentações do Traço, no sábado. “Desde o início, a gente queria fazer esse intercâmbio com artistas de outros lugares do país. Essa é a edição que sempre quisemos fazer”, celebra Jão. “O interessante é que a pessoa vai ver o Dahmer, mas conhece o trabalho da Criola; vai ouvir o Curumim, mas descobre o trabalho da Karina Buhr nas artes plásticas. É um processo muito rico para o músico, o desenhista e o público”, diz o organizador.

Além de outros dois lançamentos de livros – “Ryotiras Omnibus”, de Ricardo Tokumoto, e “Juventude”, de Chantal Herskovic –, o sábado reserva o encontro entre o Traço e a feira Faísca – Mercado Gráfico. Com mais de 60 expositores, a edição especial da feira acontece das 14h às 22h, no quarteirão fechado da rua Antônio de Albuquerque, entre rua Alagoas e avenida Cristóvão Colombo, no Funcionários.

Agenda

O quê. Festival Traço – Música e Desenho ao Vivo

Quando. De hoje a sábado, a partir das 20h

Onde. A Autêntica (rua Alagoas, 1.172, Funcionários)

Quanto. Entrada franca, com retirada de ingresso no local

Mais. Programação completa em fb.com/festivaltraco

Notícias exclusivas e ilimitadas

O TEMPO reforça o compromisso com o jornalismo profissional e de qualidade.

Nossa redação produz diariamente informação responsável e que você pode confiar. Fique bem informado!