TIRADENTES " "Querô", uma das atrações de peso na Mostra de Cinema de Tiradentes no sábado, foi convidado publicamente para participar do prestigiado Festival de Toulouse, realizado anualmente na cidade do sul da França e conhecido por revelar em escala mundial novos talentos do cinema contemporâneo.

O convite ao primeiro longa- metragem do paulista Carlos Cortez e vencedor de quatro prêmios no último Festival de Brasília " roteiro, direção de arte, som e ator " foi feito durante debate na manhã de domingo.

O diretor de "Querô", no entanto, afirmou que não será possível a participação no Festival de Toulouse porque isso invalidaria a inscrição do filme em Cannes, o que está sendo cogitado pelos produtores. E Cannes, como se sabe, só exibe obras inéditas na França.

"Não tenho grandes ambições (de ir a Cannes), mas essa é uma questão dos produtores", disse o diretor.

"Querô" é adaptação de livro do dramaturgo Plínio Marcos. Retrata o caminho sem rumo de um garoto na periferia de Santos (SP), entre roubos, prisões, assassinatos e violência, sem deixar de lado certa carga poética " em especial o desfecho, quando o filme insere a imagem da mãe do protagonista, num momento de incrível impacto.

O diretor Cortez explicou em Tiradentes que modificou o final do livro (cuja conclusão era bem mais seca e crua do que no filme) para moldar a história à sua tentativa de demonstrar carinho com o personagem.

"O Plínio sempre se referia a ele como "Querozinho", tamanho seu afeto pela própria criação. Eu quis assumir esse lado e mostrá-lo na tela", conta o cineasta, também autor do roteiro (com auxílio de Bráulio Mantovani e Luiz Bolognesi) e um dos responsáveis pela escolha de Maxwell Nascimento para o papel-título.

"Querô" ainda não tem previsão de estréia. Está em fase de negociações com uma distribuidora na tentativa de conseguir datas e espaços.