CRÍTICA

Salve Jorge e suas batalhas: um olhar sobre o filme 'Jorge da Capadócia'

Embora o protagonista seja um guerreiro, o filme não se resume a batalhas

Por Vinícius Lacerda
Publicado em 18 de abril de 2024 | 07:00
 
 
 

Por se tratar de um longa baseado em uma história de um santo amplamente conhecido, "Jorge da Capadócia" é o tipo de filme alicerçado, em grande parte, no processo, na execução. Ao entrar no cinema, o espectador possivelmente já conhecerá o trajeto do protagonista ou mesmo que tenha lido a sinopse minutos antes, dificilmente vai esperar por algo surpreendente no roteiro. Nesse âmbito, o "o quê" dá espaço para o "como". Por isso, o investimento na criação de um dragão rico em detalhes, nas batalhas em campos abertos e sangue jorrando são uma decisão acertada da direção.

A primeira cena, por exemplo, apresenta Jorge em um confronto regado a recursos cinematográficos frequentemente utilizados para a situação, como câmera lenta e foco na expressão facial do protagonista para apresentar características típicas de heróis, como determinação, confiança e, nesse caso, fé.

A comparação, no entanto, apresenta um limite baseado no orçamento. Mesmo sendo bem-executadas, as cenas de luta de "Jorge da Capadócia" povoam terras distantes daquelas onde foram gravadas os confrontos de "Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei" (2003), “Game of Thrones” (especificamente o confronto do nono episódio da sexta temporada, chamado de "A Batalha dos Bastardos") e ainda do suprassumo das cenas de guerra presente em "Coração Valente” (1995). 

Embora o protagonista seja um guerreiro, o filme não se resume a batalhas. Mas elas expressam o confronto de Jorge a partir da investida do imperador Diocleciano contra os cristãos. E nessa luta ele enfrenta talvez o pior inimigo que qualquer pessoa pode ter: a si mesmo. Disposto a servir o imperador como militar exemplar que sempre foi, o guerreiro não quer renunciar a fé e, muito menos, executar seus pares. A escolha feita por ele não é nenhuma surpresa, mas representa o momento mais forte do roteiro e também da atuação de Alexandre Machefer como protagonista. 

Por falar em atuação, abrilhantam a obra a presença de Roberto Bomtempo, como um imperador tirano que deseja estabelecer sua vontade e, também, Ricardo Soares como Octávio. Esse último, tão convincente como vilão que foi chamado, em coro, de “a demônia”, pelo público de Salvador durante exibição antecipada do filme. Completam o elenco Miriam Freeland, Adriano Garib, Antônio Gonzalez, Augusto Garcia, Charles Paraventi e Cyria Coentro. 

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