O primeiro episódio da série “A Chacina de Angueretá” joga luz sobre um macabro tabu que paira no distrito da região Central de Minas Gerais. De origem tupi, Angueretá é uma forma adaptada de “lugar das almas”. Surgido de fazendas de gado que exploravam mão-de-obra escravizada, era chamado “distrito das Almas” enquanto pertenceu a Sete Lagoas.
Em 1953 foi incorporado por Curvelo. Pouco depois, o povoado passou a ser cenário de execuções e ocultação de cadáveres atribuídos a fazendeiros e policiais militares. Os crimes foram descobertos em 1975 com a escavação de duas cisternas em uma fazenda, de onde bombeiros retiraram 19 crânios. A maioria, nunca identificado.
Tanto os que trabalharam na investigação, quanto testemunhas e moradores, sempre disseram que poderia haver mais vítimas. Não só naqueles buracos, mas também em covas de diferentes propriedades do lugarejo e no rio Paraopeba, à margem delas, perto do córrego das Almas.
Moradores do povoado revelaram à equipe de O TEMPO que foi uma briga envolvendo uma balsa que deu início a essa matança. Nos anos 1960, até a construção de uma ponte de concreto na MG-420, as cidades de Pompéu e Curvelo eram ligadas por uma balsa puxada por guindaste à manivela sobre o rio Paraopeba, em Angueretá.
O serviço era controlado por José Luís Figueiredo, dono da Fazenda Porto Mesquita, situada em uma das margens da travessia. Mais conhecido como Zé Figueiredo, ficavam na fazenda dele as duas cisternas que guardavam os crânios, retirados por peritos e bombeiros na década de 1970.
Na outra margem do rio, em terras do município de Pompéu, ficava a fazenda de Gabriel Cazulo. Testemunhas relataram à polícia, durante investigação instaurada a partir do encontro das ossadas, que ele e Zé Figueiredo se tornaram inimigos após episódio envolvendo um caminhoneiro a serviço de Cazulo.
👉🏻 O podcast 'A Chacina de Angueretá' é uma produção de O TEMPO. Conheça todo especial aqui.
O espaço permanece aberto para manifestações de instituições e familiares das pessoas citadas. Informações sobre os crimes em Angueretá podem ser enviadas para renato.costa@otempo.com.br.