Maria Aparecida Moura


Publicado em 04 de março de 2011 | 20:44
 
 
 
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Quem vê o rosto jovial de Maria Aparecida Moura mal acredita em seus 45 anos e em sua trajetória de vida quase heroica. A persistência e o talento de Cida construiram, ao longo dos anos, uma narrativa real, em que uma empregada doméstica criada na Vila São José, em Belo Horizonte, torna-se uma acadêmica de renome internacional.

Pós-doutora em Semiótica Cognitiva e Novas Mídias formada em Paris, pela universidade Maison de Sciences de l´Homme, Cida acumula uma vasta experiência na academia e hoje coordena o Núcleo de Estudos das Mediações e Usos Sociais dos Saberes e Informações em Ambientes Digitais, da UFMG.

Filha de uma família pobre, Cida tinha acesso a livros pelos clientes da mãe, que trabalhava como lavadeira. Isso, somado ao seu contato com movimentos sociais nos anos 80, serviu de combustível para sua curiosidade e obstinação.

Nesse caminho árduo, sua maior dificuldade ainda é “como mulher e negra, ter que provar o tempo todo que sou inteligente o suficiente”.

Influenciada por Nelson Mandela e a Prêmio Nobel da Paz Wangari Muta Maathai, Cida acredita que sua “função hoje é dar visibilidade ao fato de que a academia também é para negros e pobres”. E não faltam histórias de estudantes em condições sociais desfavorecidas que viram em Maria Aparecida um exemplo. Há até, entre seus alunos, quem a chame de “Cida Obama”. (Sávio Vilela)

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