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Museu de Arte Murilo Mendes (JF) discute o cinema de Adélia Sampaio

O projeto tem edição virtual especial no canal do Mamm no Youtube, desta vez explorando o filme “Amor maldito”, de 1984, sobre a trágica história de amor entre duas mulheres

Qua, 21/10/20 - 03h00
Adélia Sampaio carrega a mineiridade em sua bagagem e se destaca pelos temas contundentes de seus filmes
audima

Primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem no Brasil, a cineasta Adélia Sampaio é a convidada do Cinemamm desta quarta-feira, 21 de outubro, às 19 horas. Trata-se de uma live que conta com a mediação de Karina Orquídia, integrante da equipe do Museu de Arte Murilo Mendes. O projeto tem edição virtual especial no canal do Mamm no Youtube, desta vez explorando o filme “Amor Maldito”, de 1984, sobre a trágica história de amor entre duas mulheres. A trama foi inspirada em um caso real que se desenrolou na Justiça.

Adélia Sampaio carrega a mineiridade em sua bagagem e se destaca pelos temas contundentes de seus filmes. Nascida em Belo Horizonte, aos 13 anos se mudou para o Rio de Janeiro, onde teve o primeiro contato com o cinema. Anos depois, conseguiu emprego como telefonista em uma distribuidora de filmes ligada ao Cinema Novo e foi ali que começou a participar de produções cinematográficas. Sua estreia como diretora se deu em 1979, com o curta-metragem “Denúncia vazia”.

“Amor Maldito” foi realizado quando o Brasil fazia a transição da ditadura militar para a democracia. Adélia aproveitou a abertura política para fomentar a discussão sobre um tabu da época, a lesbianidade. O filme enfrentou severas críticas pela ousadia na abordagem, principalmente no que diz respeito ao público conservador. A proposta então era retratar o preconceito da sociedade diante da paixão entre mulheres, um tema que continua mais atual do que nunca.

Alvo de estudos e discussões no meio acadêmico e na sociedade em geral, as realizações de cineastas negros vêm obtendo visibilidade a partir de publicações, debates e festivais. A arte de Adélia vem à tona como referência em um momento em que a ligação entre a cultura e os movimentos em prol das minorias experimenta uma curva ascendente não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.

Também merece menção seu trabalho como documentarista, em que sobressaem os longas “Fugindo do passado”, que estreou em 1987, e “AI-5 – O dia que não existiu”, lançado em 2001. Neste, ela dividiu o trabalho de direção com o jornalista Paulo Markun, fazendo uma revisita histórica ao Congresso Nacional no ano de 1968, a fim de reproduzir a grave atmosfera em que se deu o Ato Institucional Número 5, o mais conhecido dos 17 emitidos pelo regime militar entre 1964 e 1984.

Reconhecimento. A cineasta vem de uma longa jornada de viagens país afora para participar de rodas de conversas a fim de ampliar e compartilhar suas vivências artísticas, pessoais e profissionais. Diante da pandemia e da impossibilidade de realizar esse trabalho presencialmente, desde março ela continua a inspirar, em participações online, mulheres e jovens que querem conquistar seu espaço no cinema brasileiro.

Recentemente, Adélia foi homenageada em um festival que começou a ganhar força em Brasília, com o evento passando a levar seu nome: Mostra Competitiva de Cinema Negro Adélia Sampaio. Três edições já foram realizadas, com exibição de filmes, seminários, shows e oficinas gratuitas.

A live poderá sera acessada em: https://youtu.be/Z4_3RumxJ-Q

 

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