Liberdades políticas

Entenda os protestos em Hong Kong

Milhares de manifestantes enfrentaram a polícia e o governo contra lei de extradição que pode restringir a liberdade no país

Qua, 12/06/19 - 16h11
Manifestantes enfrentam a polícia nas ruas de Hong Kong

Hong Kong. As ruas de Hong Kong, na China, foram tomadas na quarta-feira, dia 12, por manifestantes contra lei que pode restringir liberdade no território autônomo. Ao tentarem invadir o Parlamento, polícia reprimiu o protesto com bombas de gás e balas de borracha

O que querem os manifestantes?

Os ativistas são contrários ao projeto de lei do Executivo que permite extradições para todas as jurisdições, com as quais não existe acordo bilateral, incluindo a China continental, Taiwan e Macau.

Qual a razão da resistência?

Eles acreditam que a medida será usada com fins políticos pela China. Depois de anos de tensão política, muitos moradores de Hong Kong não acreditam mais nas promessas de seu Executivo, que está alinhado com Pequim.

O que o governo diz?

As autoridades de Hong Kong afirmam que, com a lei, a cidade deixará de ser um refúgio para criminosos. Elas garantem que existem salvaguardas aos direitos humanos e que os alvos não são adversários políticos da China.

 

Quem está protestando?

Mais de cem empresas e estabelecimentos comerciais anunciaram que não funcionariam. Os principais sindicatos de estudantes convocaram um boicote das aulas para que os alunos participassem nos protestos. Mais de 1.600 funcionários de companhias aéreas assinaram um abaixo-assinado para pedir a seu sindicato que entre em greve. Professores, motoristas,enfermeiros e assistentes sociais também manifestaram apoio.

Protestos de rua são permitidos no país?

No acordo de 1984 entre Londres e Pequim, que selou sua retrocessão em 1997, Hong Kong desfruta de uma semiautonomia e liberdades que não existem na China continental. Em tese a situação deve seguir até 2047.

Qual é a dúvida?

A ex-colônia britânica tem sido palco de intensa agitação política na última década, devido à preocupação com a crescente interferência de Pequim em seus assuntos internos e com a sensação de que a retrocessão e o famoso princípio "Um país, dois sistemas" não são mais respeitados.

Quais foram esses protestos?

Em 2014, centenas de milhares de manifestantes ocuparam a cidade e bloquearam cruzamentos por 79 dias, no que ficou conhecido como o "Movimento dos Guarda-Chuvas", que exigia a eleição do chefe do Executivo por sufrágio universal.

Em 2007, parlamentares renunciaram em grupo contra o adiamento da entrada em vigor de eleições amplas.

E, em 2003, meio milhão de pessoas foram às ruas contra lei que proibia atos de subversão contra o governo chinês.

Quais são os próximos passos?

A discussão do projeto de extradição que ocorreria no dia 12 foi suspensa, mas sua votação final está marcada para o dia 20 de junho.

E a reação do mercado?

O índice Hang Seng, da Bolsa de Hong Kong, caiu 1,73%, a 27.308,46 pontos. O índice Xangai Composto caiu 0,56%, a 2.909,38 pontos, e o Shenzhen Composto, formado por empresas menores, recuou 0,64%, a 1.528,40 pontos. Estes dois últimos também foram influenciados pela guerra comercial entre China e EUA, e o aumento da inflação no país para 2,7%.

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