Barco pegou fogo

Naufrágio de imigrantes no Senegal deixa pelo menos 140 mortos

Imigrantes tentavam chegar às ilhas Canárias, arquipélago espanhol que fica na altura do litoral marroquino

Qui, 29/10/20 - 18h37
Mais de 50 mil imigrantes entraram pelo Mediterrâneo na Europa, diz a ONU
audima

Ao menos 140 pessoas morreram afogadas no mais letal acidente com imigrantes deste ano, na costa do Senegal, segundo a OIM (agência da ONU para imigrações).

O barco, com cerca de 200 pessoas a bordo, pegou fogo e virou perto de Saint-Louis, na costa noroeste do país africano. Os imigrantes tentavam chegar às ilhas Canárias, arquipélago espanhol que fica na altura do litoral marroquino.

Segundo a OIM, pescadores e embarcações das marinhas senegalesa e espanhola resgataram 59 pessoas e recuperaram os restos mortais de outras 20.

O acidente se segue a quatro outros naufrágios registrados no Mediterrâneo na semana passada e um no canal da Mancha, que matou um casal e dois de seus filhos, de 9 e 5 anos - um bebê ainda está desaparecido.

"Apelamos à unidade entre governos, parceiros e a comunidade internacional para desmantelar as redes de tráfico e contrabando que tiram partido da juventude desesperada", disse Bakary Doumbia, chefe da missão da OIM no Senegal.

Há um mês, a Comissão Europeia (Poder Executivo do bloco) apresentou sua proposta de nova política de imigração para a UE, que tem como um dos pilares combater os coiotes que cobram pelo transporte ilegais de imigrantes.

Segundo a agência da ONU, o número de embarcações de imigrantes que deixam o oeste da África Ocidental em direção às ilhas Canárias aumentou muito neste ano. A estimativa é de 11 mil chegadas ao arquipélago espanhol neste ano, quatro vezes as 2.557 do mesmo período do ano passado.

Somente em setembro, 14 barcos transportando 663 migrantes deixaram o Senegal para o arquipélago espanhol. A OIM diz que ao menos um quarto das viagens é interrompido por naufrágio ou algum outro incidente.

Com esse caso recente, são ao menos 414 as pessoas que morreram ao longo dessa rota desde janeiro, de acordo com o Projeto de Migrantes Desaparecidos. No ano passado, foram 210 mortes.

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