Criando Juntos

Carreira em primeiro lugar

Publicado em: Sex, 17/01/20 - 21h15
audima

É terminantemente proibido uma mãe dizer que algo é mais importante na vida do que seus filhos, não é mesmo? Mas nos últimos três meses, meu foco saiu da maternidade e foi parar nas páginas de Cidades do jornal O Tempo. Em 1º de outubro, recebi a missão de assumir interinamente a editoria na qual fui repórter por mais de sete anos. Gelei. Pensei que não daria conta. Até a coluna Criando Juntos ficou em standy by. O blog no Instagram também.

Como conciliar a editoria mais efervescente do jornal com os filhos gêmeos de 8/9 meses e um primogênito de quase 4 anos na fase dos porquês e das birras? 

A missão seria por pouco tempo. Então fui deixando acontecer. Logo no início, uma companheira de trabalho parou na minha mesa e disse mais ou menos assim: “Você está se saindo muito bem. Mas tem que ser leve. Se pesar demais para você e seus filhos, pede para sair”. Esse conselho me acompanhou todos os dias. E mesmo quando não foi leve, eu tentei aliviar.

Descobri que meu equilíbrio estava em me manter conectada mentalmente às crianças, mesmo com um turbilhão de informações na cabeça. O pensamento podia estar em mil questões de trabalho, mas as crianças estavam ali, no meu subconsciente. Quando, por algum descompasso, eu perdia essa conexão, aí desandava tudo, eu me sentia exausta, triste e até chorava. Mas na maioria dos dias eu consegui manter essa conexão.

O mais difícil era ficar ligada nas notícias enquanto eu estava em casa. Mas era necessário às vezes. Acompanhar grupo de  WhatsApp com bebê no colo e o filho mais velho do lado é uma das coisas mais estressantes do mundo, com certeza. Grandes coberturas como a da cerveja contaminada que vem matando pessoas significam, além de sofrimento, mais e mais horas longe dos filhos e do marido.

É como disse outra companheira de trabalho um dia desses: ‘Jornalista não deveria parir’. E eu emendo: ‘Muito menos gêmeos...’kkkkkkkk. Brincadeiras à parte, a verdade é que fácil realmente não é. A gente pensa em desistir às vezes. Mas eu fiz o que foi possível, no trabalho e em casa. Fiz o que dei conta. Tentei dar o meu melhor, falhei algumas vezes, acertei em outras.

Meus filhos tiveram uma mãe mais cansada e estressada em alguns momentos, mas também tiveram uma mãe mais empolgada, grata e satisfeita em outras por estar com eles. A carreira pode não estar em primeiro lugar no nosso coração - assim como a maternidade não pode ser tudo -, mas, se a carreira é necessária e importante na nossa vida, tem horas que ela precisa ser priorizada, sim. Sempre respeitando, claro, os nossos limites como ser humano.

Jornalista, redatora dos jornais O Tempo e Super Notícia, mãe do João e dos gêmeos Raul e Gael e autora do perfil @joaoeosgemeos

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