Fernando Fabbrini

Escreve todas as quintas-feiras no Portal O Tempo

O caso do café

Publicado em: Qui, 14/10/21 - 03h00

Está lançado o desafio: reúna agora, onde estiver, um grupo qualquer de pessoas – familiares, colegas de trabalho, turma do chope - e pergunte a elas:

- Alguém sabe como foi que o café chegou ao Brasil?

Prepare-se para ter como resposta um silêncio incômodo e algumas suposições vagas e absurdas, incluindo a referência frequente às tais cabras da Etiópia que comiam as frutinhas e ficavam doidonas - um erro de quase 18 séculos e de alguns milhares de quilômetros. Pois é: mesmo sendo o café nossa principal riqueza, milhões de brasileiros nem fazem ideia de como a famosa rubiácea começou a ser plantada em terras tupiniquins para virar um sucesso internacional.

Intrigado com isso, saí atrás do caso. De cara, quase nada: mesmo com o volume de informações da internet, sabe-se pouquíssimo sobre o assunto. Minha curiosidade levou-me depois ao acervo da Biblioteca Nacional e – enfim! - às pequenas referências ao sargento-mor da colônia Francisco José de Melo Palheta. Seguindo as pistas e com a colaboração de amigos estrangeiros, fiz contatos em Caiena, capital da Guiana Francesa. E lá, finalmente, fechei as pontas de uma história que envolveu ousadia, intrigas, confusões e um belo caso de amor proibido. Ah, teve sim.

Quando me perguntam, gosto de dizer que meu novo livro “O Café do Sargento” é um romance baseado em fatos mais ou menos reais. Não há certezas, uma vez que tudo se passou nos tempos do Brasil colonial. Segue em resumo: o governador da província do Grão-Pará, João Duval, fica sabendo que tropas francesas atravessaram o rio Oiapoque e retiraram os marcos de limite das terras portuguesas. Trata-se de uma afronta inadmissível, uma invasão. Indignado, chama ao palácio o sargento-mor Francisco José Palheta e encarrega-o de tomar satisfações com Monsieur Claude D’Orvilliers, mandatário da Guiana. Aproveitando-se do evento e da viagem diplomática, sugere que Palheta consiga – por quaisquer meios – sementes ou mudas de café, uma riqueza daquela terra estrangeira, rara e muito bem resguardada. Palheta, um homem elegante, bem falante e... namorador, aceita a missão.

Ao chegar à Guiana, ele é recebido por D’Orvilliers, que pede desculpas pela invasão e promete recolocar os marcos. Palheta, ladino e atrevido, insinua seu interesse em sementes de café, como símbolo da reconciliação. Pega mal. O mandatário recusa; nada de ceder mudas do café assim-assim de mão-beijada, o que deixando o sargento-mor decepcionado.  

Num baile de máscaras, Palheta – ilustre convidado – conhece Juliette, uma das amantes de Claude D’Orvilliers. É uma linda mulher, mestiça, sedutora e sofisticada. Ele a seduz com seu talento de galanteador e começam um caso proibido que dura por toda a estadia de Palheta em Caiena. Durante esse período, em segredo, o sargento tenta obter sementes de café às escondidas. Mas dá tudo errado. É trapaceado por bandidos, corre perigo, se envolve em confusões.

Nas últimas páginas, quando Palheta, frustrado, prepara-se para embarcar de volta ao Brasil, acontece o inesperado. Mas não vou contar aqui, claro. Em breve “O Café do Sargento” estará à venda e espero que vocês leiam a história do Palheta com o mesmo prazer que tive ao escrevê-la.

Amanhã estarei autografando “O Café do Sargento” na II Fliti – Feira Literária de Tiradentes. Lá também, ao lado de minha colega e parceira Laura Medioli, participo de um bate-papo sobre o “Só de Bicho”, nosso livro cuja renda é destinada a organizações voluntárias que cuidam de animais abandonados.

 

                                                               

 

 

      

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