Frederico Jota

A excelência que vem do exterior
Publicado em: Sex, 23/08/19 - 18h34

O futebol brasileiro vive um momento muito especial com a chegada de jogadores com carreiras consolidadas na Europa. Aquela velha presunção nacional, que insiste em hipervalorizar os torneios locais e menosprezar a qualidade dos torneios do Velho Continente, está sendo seriamente desafiada diante do desempenho de atletas que passaram várias temporadas disputando torneios de primeiro nível. A tendência é que esses jogadores naturalmente aumentem o padrão de jogo dos companheiros. 

Esse grupo de jogadores pode ser dividido entre os europeus que estão tendo as primeiras experiências no Brasil e os brasileiros que voltam ao país depois de um bom tempo no exterior. Nesse último caso, o ganho que os anos europeus deram a jogadores como Daniel Alves, Filipe Luís e Rafinha, por exemplo, é inimaginável. Taticamente mais completos, os três exemplos citados já fazem a diferença em suas equipes. 

Os laterais flamenguistas, mesmo sem terem sido jogadores de primeiro escalão na Europa, daqueles pelos quais os clubes despejam rios de dinheiro, são eficientes e têm experiência suficiente para assumir a posição e modificar a forma de uma equipe atuar. As opções que Rafinha e Filipe Luís deram à equipe do Flamengo, dirigida por um europeu, diga-se de passagem, são inúmeras. Eficiência na marcação e deslocamentos precisos, sem alarde, com chegadas ao ataque na hora certa.

Daniel Alves não precisa de apresentações. Teve uma carreira mais vitoriosa e um nível acima de Rafinha e Filipe Luís, além de ser um jogador mais técnico e também mais versátil, além de ter uma carreira mais sólida e vitoriosa na seleção brasileira. O efeito de sua chegada ao São Paulo, em campo, ficou nítido mesmo em apenas uma partida. A equipe paulista deixou de ser comum apenas pela presença dele em campo, com toda sua bagagem e qualidade.

Já o discreto Juanfran, também longe de ser um craque continental em seus tempos de Atlético de Madrid, trouxe qualidade e consciência tática, colocando em prática um estilo de jogo inteligente, sem deixar espaços. Juanfran não é um extraclasse como Seedorf, que dispensa comentários, mas agrega demais e está alguns níveis acima da média brasileira.

Essa constatação, óbvia para quem está acostumado a ver os campeonatos nacionais europeus, vai ficar ainda mais clara para quem vê pouco o futebol do Velho Continente, que não à toa conquistou as últimas quatro Copas do Mundo. A qualidade técnica e a consciência tática dos europeus não pode ser desprezada, mesmo quando levamos em conta torneios com, em tese, menos candidatos ao título, como o Espanhol. Esse intercâmbio tem muito a fazer bem ao futebol brasileiro. 

 

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