João Vitor Cirilo

Sobre Ceni, Diniz e ideias de jogo
Publicado em: Ter, 20/08/19 - 03h00
Ceni estreou com vitória no Cruzeiro no último domingo

Ao observar o jogo contra o Santos no último domingo no Mineirão, o torcedor do Cruzeiro se empolgou, o que é natural. Mesmo com apenas 90 minutos sob o comando do novo treinador, a primeira partida celeste com Rogério Ceni à beira do campo é emblemática e representou uma resposta ao que muitos cruzeirenses cobravam após a saída do técnico anterior, o vitorioso Mano Menezes.

É evidente que a maneira de observar e praticar futebol é completamente distinta entre os dois profissionais, sem entrar no mérito do que é melhor ou pior. Como já destaquei aqui, há várias maneiras de se vencer um confronto, e não sou quem vai eleger uma "correta". Entretanto, a mim, são mais agradáveis equipes que gostam da bola, que buscam o gol. Por isso, a primeira amostragem do Cruzeiro de Ceni empolgou tanto — e sim, mesmo jogando com um a mais durante quase todo o tempo.

Com o que foi apresentado, ficou mais do que claro que, ao contrário do que vemos frequentemente em vários clubes brasileiros que trocam de treinador, o que deve acontecer é realmente uma necessária e real mudança, e com as mesmas peças disponíveis no elenco. O que todos esperam é a sequência dessa ideia nos próximos jogos. 

Sem fugir do tema e ainda falando sobre treinadores e ideias de jogo, aproveito para comentar a demissão de Fernando Diniz do comando técnico do Fluminense. Importante destacar que não o considero um grande inovador ou algo do tipo no que diz respeito ao futebol de hoje em dia, mas um profissional que tenta fazer o diferente, evoluir as peças que tem em busca de um crescimento coletivo, algo que também espero de Ceni no Cruzeiro. 

Contudo, os resultados acabam sendo, sim, importantes neste processo, que apresenta equívocos que não o deixaram obter os frutos imaginados, sobretudo nos dois trabalhos recentes em equipes de Série A, o Atlético-PR e o Flu. Trabalhei este mês em Atlético 2x1 Fluminense na Arena Independência e digo que foi um dos jogos que mais me empolgou no ano. Taticamente, um confronto interessantíssimo, intenso, ofensivo, da busca pelo resultado a todo momento, uma partida bastante agradável, muito por culpa do Tricolor. Sabemos que isso não é o suficiente por aqui.

Posso até entender também a postura do clube em interromper a sequência do trabalho, com o peso da ausência das vitórias — o que, desnecessariamente, havia deixado claro o vice-presidente do Fluminense em entrevista coletiva na semana passada —, ainda que entendendo a dificuldade que outro profissional entre os disponíveis no nosso mercado terá para conseguir uma grande evolução deste Fluminense. É por esse cenário que lamento a queda de Fernando Diniz, imaginável, e talvez até compreensível, pela maneira como enxergamos futebol no Brasil. Difícil dar certo.

E concluindo, a queda de Diniz representa muito para o que eu escrevi há três meses neste espaço em O Tempo. Estamos desenvolvendo a cultura de comemorar o fracasso de outro pelo simples prazer de dizer um "eu avisei". Lamento e torço para que o treinador consiga evoluir a ponto de trazer real eficiência para suas equipes.

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