Política em Análise

A candidatura de Wanderson Rocha

Candidato do PSTU tem conexão com assuntos em voga no momento, mas não é prioridade nem em seu partido

Sex, 18/09/20 - 11h20
Na coluna Política em Análise, Ricardo Corrêa analisa a candidatura de Wanderson Rocha à Prefeitura de Belo Horizonte, na série sobre os candidatos na capital.
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Na série sobre os desafios, estratégias, pontos positivos e pontos negativos sobre as candidaturas à Prefeitura de Belo Horizonte, hoje é dia de falar de Wanderson Rocha, nome escolhido pelo PSTU para disputar o cargo. Já tratamos de outros seis candidatos e falaremos de todos nas próximas duas semanas.

Em relação a Wanderson Rocha é bom dizer, como ponto positivo para sua trajetória, o fato de que é uma pessoa com formação e que não foi tirada do nada pelo PSTU, como muita vezes as pessoas acham que pode acontecer em um partido pequeno. Ele é pedagogo, professor da rede pública e mestre em Ciências Sociais pela Universidade de Coimbra, de Portugal. Tem um conhecimento da sociedade e uma capacidade de se expressar que o qualifica.

Também o ajuda o fato de que tanto ele quanto a vice na chapa, Firmina Rodrigues, estarem há anos militando contra o racismo, que é um tema absolutamente importante e que ganhou mais atenção da sociedade após os protestos pelo mundo e em especial nos Estados Unidos. Nunca se falou tanto do tema. Firmina também é ativista no movimento em defesa das mulheres e da comunidade LGBT, o que também tem merecido mais atenção ultimamente.

Além disso, a candidatura de um partido de uma esquerda mais extrema tende a ser beneficiada pelo crescimento da extrema direita, que é notório no Brasil e no mundo. Pode ser contraditório para algumas pessoas, mas o acirramento dos debates em um campo ideológico, com seu fortalecimento, normalmente, gera reações e fortalecimento também no polo oposto.

Na parte negativa dos aspectos para a candidatura, evidentemente que figura no topo da lista essa pauta utópica de defesa da mudança do sistema para o socialismo. Isso não tem razão de ser no momento atual e, principalmente em um debate sobre a prefeitura e o cidadão que vai fazer a zeladoria da cidade e vai tratar de questões locais em meio a tantos desafios que enfrentamos.

Também, claro, pesa contra Wanderson Rocha o fato de seu partido, além de pequeno, sem fundo partidário e sem tempo no horário eleitoral de rádio e TV, estar muito mais focado na eleição de uma vereadora. Não por acaso Vanessa Portugal, nome mais relevante do partido nos últimos anos, foi escolhida para tentar uma vaga na Câmara. Wanderson vai ficar em segundo plano e, sem aparecer na propaganda, provavelmente nem vai ter sido conhecido pela maioria do eleitorado quando o dia da eleição chegar.

Como disse também em relação a outros nomes da esquerda, a pulverização de candidaturas nesse espectro também atrapalha. Wanderson tem adversários tanto entre os menos extremos à esquerda, Áurea Carolina e Nilmário Miranda, como entre os mais radicais, tendo possivelmente que dividir votos com Marília Domingues, do PCO.

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