Política em Análise

Candidatos de centro dominam eleições nas capitais

Bolsonaristas e petistas começam mal a corrida eleitoral e polarização não afeta corrida pelas prefeituras

Qua, 07/10/20 - 10h25
Na coluna Política em Análise, o editor de O TEMPO, Ricardo Corrêa, analisa os resultados das pesquisas eleitorais nas principais capitais do país e aponta para o insucesso de petistas e bolsonaristas no começo da corrida eleitoral.
audima

No primeiro teste após a vitória nas urnas, o bolsonarismo não vai bem. O petismo, após a primeira derrota eleitoral nacional desde o início deste século, também. Basta olhar as pesquisas já divulgadas pelo Ibope em 13 capitais brasileiras para perceber que a polarização entre esses dois grupos não parece ter qualquer relevância ao menos no início dessa disputa, muito pulverizada e que começa com os partidos de centro bastante sólidos.

Nas 13 capitais já abarcadas pelas pesquisas, ninguém vai melhor do que o DEM, dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre. O partido lidera a corrida eleitoral em quatro capitais: Rio de Janeiro, Salvador, Curitiba e Florianópolis. No centro do espectro também estão o PSD, que lidera em Belo Horizonte e em Goiânia, e o PSDB, que está na frente em Palmas e em Natal. O PP lidera em João Pessoa e, o Republicanos, em São Paulo.

Aliás, na capital paulista está a chance mais clara de vitória bolsonarista hoje. Mas não com um candidato que efetivamente se identifique com esse grupo. O líder é Celso Russomanno, conhecido por ir bem no início da campanha e tropeçar na reta final ano após ano. Ele foi adotado pelo presidente após o fracasso das articulações dos demais aliados na capital. Assim, apostou no candidato do Republicanos, que está hoje em um empate técnico com o prefeito Bruno Covas (PSDB).

A situação do PT não é muito diferente da de Bolsonaro. O partido corre o risco de fracassar em todas as capitais. A esquerda não vai bem, em regra, mas quando consegue driblar essa dificuldade, são outros partidos que estão à frente. É o caso de Belém, onde o PSOL lidera com Edmilson Rodrigues. Em Porto Alegre, Manuela D’Ávila (PCdoB) é quem está na liderança. Nos dois casos, os partidos têm o apoio do PT, que não conseguiu se viabilizar. Em Recife, mais uma vez, o PSB está na frente, agora com João Campos, neste caso em contraposição ao PT.

A ausência de polarização entre petistas e bolsonaristas prejudica os dois lados, claro, mas é ainda pior para os candidatos que contavam com o apoio direto do presidente. O crescimento desse grupo se daria na já famosa estratégia de contrapor o que chamam de “comunismo”. No duelo com candidatos do centrão, que são partidos que estão no escopo de alianças de Bolsonaro, fica mais difícil. E a própria presença do chefe do Executivo na campanha torna-se menos provável. Como todos sabem, não tendo base própria, Bolsonaro não quer mesmo comprar briga com os partidos desse campo que o sustenta. Se algum bolsonarista precisar dele para derrotar um nome de partido mais ao centro – com exceção do PSDB –, pode esquecer.

Comentários

Deixe seu comentário
* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso
LEIA MAIS
Política em Análise
Política em Análise
Política em Análise
Política em Análise
Política em Análise
Política em Análise
Análise
Política em Análise
Política em Análise
Política em Análise