Política em Análise

Disputa acirrada para a Câmara de BH

Eleições tendem a gerar uma Câmara mais pulverizada e com articulação política mais difícil

Qui, 22/10/20 - 10h12
Na coluna Política em Análise, o editor de O TEMPO, Ricardo Corrêa, avalia as disputas pelas 41 cadeiras da Câmara de Belo Horizonte e a perspectiva de maior pulverização das vagas, com maior número de partidos representados no parlamento.
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Se a disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte parece hoje cada vez mais encaminhada para uma vitória do prefeito e candidato à reeleição Alexandre Kalil (PSD) ainda no primeiro turno, a corrida pelas vagas à Câmara Municipal tem cenário bem diferente. Há uma disputa forte nos bastidores, o que tem gerado guerra por recursos e acusações de benefício a um ou outro candidato.

Por trás dessa disputa quente está a percepção de que haverá, inevitavelmente, uma pulverização das bancadas na Casa. Se hoje chegamos a ter o PSD com 13 vereadores, dificilmente alguma bancada passará muito de cinco parlamentares. A expectativa de quem calcula as chances de cada um dos candidatos é de que a maior parte dos partidos acabe mesmo com apenas um vereador eleito. E que, com isso, passássemos com folga dos 20 partidos representados.

Em 2016, foram 22 partidos com representação garantida pela eleição. Hoje, após as mudanças de legenda ao longo da legislatura, são apenas 18. A partir de janeiro, já há quem aposte em 25 legendas com cadeiras na Casa.

Isso acaba sendo má notícia para os atuais vereadores. É provável que metade deles acabe ficando de fora da próxima legislatura. Essa renovação na casa dos 50% é parecida com a que foi vislumbrada em 2016.

De todas essas considerações, tira-se que a mudança eleitoral aprovada no Congresso e que proibiu as coligações proporcionais e instituiu uma cláusula de barreira teve, antes dos efeitos esperados, um efeito colateral. As eleições de 2020 geraram mais chapas, mais candidatos e levarão, muito provavelmente, a uma Câmara mais pulverizada. Exatamente o contrário do esperado inicialmente. Claro que a tendência, com o tempo, é reduzir o número de partidos. Mas, até que isso comece a aparecer, teremos que conviver com uma governabilidade ainda mais difícil.

Para o prefeito Alexandre Kalil, hoje líder das pesquisas, isso é, claro, uma má notícia. Seu partido pode perder mais da metade das vagas na Casa e os posicionamentos mais ideológicos, à esquerda e à direita, tendem a se fazer mais representados. Isso, evidentemente, dificulta a articulação e será um desafio para qualquer um que seja eleito em 15 de novembro.

 

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