Política em Análise

Futuro perigoso para Crivella e Russomanno

Voto útil de esquerda ameaça prefeito do Rio e apoio de Bolsonaro deve atrapalhar o deputado federal em SP

Sex, 09/10/20 - 10h29
Na coluna Política em Análise, o editor de O TEMPO, Ricardo Corrêa, analisa os resultados das pesquisas eleitorais em São Paulo e Rio de Janeiro e o cenário difícil para Crivella e Russomanno
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Os cenários apresentados pelas pesquisas do Datafolha divulgadas nesta quinta-feira mostram situações perigosas para o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, e para o deputado federal Celso Russomanno nas disputas que travam nas duas maiores capitais do país. Embora ainda apareçam com reais chances de chegarem ao segundo turno, cada um a sua maneira, os dois tendem a enfrentar dias piores mais adiante na corrida eleitoral.

Em relação à disputa no Rio, os riscos estão mais claros. Hoje, embora apareça em segundo, com 14% das intenções de voto (Eduardo Paes aparece em primeiro com 30%), Crivella vê logo atrás cinco candidatos mais identificados com a esquerda. O pelotão começa com a delegada Marta Rocha (PDT), com 10%, e continua com Benedita da Silva (PT), 8%; Renata Souza (PSOL), 3%; Bandeira de Mello (Rede), 3%; e Cyro Garcia (PSTU), 2%. É bem razoável imaginar que, quando a eleição se aproximar, esse grupo, que soma 26%, possa se reunir mais fortemente em torno de um dos nomes. É o chamado voto útil, que foi muito forte na disputa presidencial do ano passado, esvaziando os votos de quase todos os candidatos de centro na reta final em prol de Bolsonaro ou Haddad. Com a rejeição em alta (57%), sobra pouquíssimo espaço para que Crivella suplante uma eventual migração de votos para um dos concorrentes da esquerda.

Já no caso de Celso Russomanno, embora a situação seja hoje mais confortável, parece razoável supor que o destino mais real hoje para ele é o mesmo das eleições anteriores: a perda de fôlego ao longo da campanha. E, neste caso, isso tende a se dar por um erro de estratégia. Líder numericamente na pesquisa, embora numericamente empatado com Bruno Covas (PSDB) – 27% x 21% – Russomanno escolheu vincular-se a Jair Bolsonaro, que é fortemente rejeitado em São Paulo. O próprio Datafolha mostra que 63% dos paulistanos dizem que não votariam de jeito nenhum em um candidato apoiado por ele.

A decisão de Russomanno teve reflexo imediato. Sua rejeição começou a aumentar e se aproximar da de Bruno Covas, que tem na relação com João Doria o principal obstáculo. Cerca de 60% dos eleitores de SP não pretendem votar em um candidato apoiado pelo governador. Seria um enorme problema se o adversário não escolhesse um cabo eleitoral ainda pior por lá. De toda forma, parece razoável imaginar que os dois estarão no segundo turno, a não ser que Guilherme Boulos (PSOL) consiga tirar parte do eleitorado da esquerda que está com Russomanno e que não perca parcela que está com ele para Jilmar Tatto (PT). Mas, no cenário atual, se não mudar a estratégia, Russomanno parece pavimentar uma derrota para Covas no segundo turno.

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