Política em Análise

Horário eleitoral mal utilizado

Fórmula arcaica e fragmentação tendem a diminuir efeitos dos programas no rádio e na TV em Belo Horizonte

Ter, 13/10/20 - 10h04
Na coluna Política em Análise, o editor de O TEMPO, Ricardo Corrêa, analisa o uso do horário eleitoral por parte dos candidatos
audima

Os primeiros dias de horário eleitoral no rádio e na televisão mostraram pouca criatividade e campanhas muito arcaicas, com poucas chances de disputar a atenção do eleitor com as redes sociais e demais formas de fazer campanha. Velho e, mais do que nunca, fragmentado, o horário eleitoral dificilmente vai mudar muito o quadro exibido pelas primeiras pesquisas de intenção de voto. Faz muito mais diferença, por exemplo, o conhecimento dos candidatos, sua ação e reação às notícias divulgadas e estratégias para amplificar aquelas nas quais se sai melhor.

Dos 11 candidatos com direito a tempo na TV, apenas 10 estão aparecendo. Isso pelo fato de Fabiano Cazeca não ter conseguido colocar suas propostas no ar por um problema com o partido. Dos demais, apenas cinco têm tempo suficiente pra alguma coisa. E nenhum deles consegue emocionar ou chamar atenção em meio aos demais.

Com o maior tempo da propaganda, João Vítor Xavier utiliza metade de suas inserções com críticas ao prefeito Alexandre Kalil. Estratégia muito semelhante à utilizada por João Leite em 2016. Com o candidato do PSDB, não deu certo. Hoje, porém, com perfil bem diferente e menos desgaste, João Vítor parece acreditar que conseguirá resultado distinto. O desafio é superar o fato de que bater em quem tem uma popularidade cristalizada gera o risco de sair da campanha como “vilão” e menor do que entrou. No programa eleitoral propriamente dito, ele tem se apresentado com o mesmo programa desde o primeiro dia, no qual tenta mostrar coragem na questão das barragens.

Kalil, o segundo com mais tempo, por sua vez, tenta usar seu programa eleitoral como uma vacina contra ataques. Assim, simula admitir erros e tem postura mais humilde do que na versão original. Até a fala, mais pausada e com voz mais baixa, tenta buscar defender-se das críticas de que é “autoritário e prepotente”, na visão dos adversários. Quando se olha entrevistas de Kalil e seu horário eleitoral, vê-se claramente a diferença de tom e comportamento.

Além deles, Nilmário Miranda também tem tempo razoável no rádio e na TV. Seu programa, porém, é utilizado muito mais para defender um legado do PT do que propriamente para apresentar o que busca para a prefeitura. As peças foram pensadas justamente para o objetivo nacional da legenda, que é tentar resistir aos ataques e manter-se como um partido relevante.

Luísa Barreto, por sua vez, usa estratégia inversa. Esconde completamente o PSDB e usou todas as propagandas até aqui para se apresentar, já que não é uma pessoa conhecida no meio político. Ainda não entrou na fase das propostas.

Lafayette Andrada é o único que tenta ir para uma linha mais emocional, mas com uma propaganda sonolenta e de estética muito antiga, dificilmente consegue engajar. Tem aproveitado a ausência de Bruno Engler na TV para fisgar o eleitor conservador. Assim, é o único mostrando Bolsonaro na propaganda.

Os outros, com pouquíssimo tempo, não têm muito o que fazer. Desses, quem aproveitou melhor os preciosos segundos foi Rodrigo Paiva, que colocou o governador Romeu Zema logo de cara para tentar desvincular-se dos demais. Infringiu a legislação eleitoral e teve o programa suspenso, mas antes disso certamente vai faturar algum benefício de ter feito essa vinculação.

De toda forma, o reflexo do horário eleitoral saberemos mesmo com a pesquisa Ibope que está prevista para ser divulgada na próxima quinta-feira. Em primeiro momento, parece difícil crer que tais propagandas sejam capazes de mudar alguma coisa. É preciso muito mais criatividade para tal.

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