Às 21h18 de terça-feira (7/7), o piloto de um Boeing 737-400 convertido em cargueiro comunicou ao controle de tráfego aéreo uma falha no sistema de navegação. Três minutos depois, a aeronave desapareceu dos radares. Destroços foram encontrados no Mar Arábico cerca de 12 horas depois do sumiço.
O avião pertence à companhia paquistanesa K2 Airways e fazia a rota entre Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, e Karachi, no Paquistão. Cinco tripulantes estavam a bordo quando o contato foi perdido enquanto a aeronave cruzava o Mar Arábico.
As autoridades paquistanesas iniciaram uma operação de busca e resgate na região. Conforme informações de veículos locais e agências internacionais, equipes de recuperação da Marinha do Paquistão trouxeram a bordo destroços do voo KTA1732 nesta quarta-feira (8/7). Os fragmentos encontrados seriam consistentes com um impacto na água.
Pakistan Navy recovery teams have brought aboard identified wreckage from K2 Airways Flight KTA1732 (Boeing 737-4BDSF, AP-BOI), lost 07 July 2026 over the Arabian Sea.
Confirmed components:
▪ External fuselage skin bearing the K2 Airways operator titles, most likely recovered… pic.twitter.com/ARl5eUBuLC— Saad (@AirlinePilotmax) July 8, 2026
O que aconteceu com o Boeing 737-400?
Segundo a Autoridade de Aeroportos do Paquistão, o piloto transmitiu um alerta de emergência às 21h18 (horário local), equivalente a 15h18 em Brasília, informando uma falha no sistema de navegação.
Após o primeiro aviso, controladores de voo tentaram orientar a tripulação para manter o trajeto e estabilizar a situação operacional. Poucos minutos depois, as comunicações por rádio foram interrompidas e o avião desapareceu dos radares.
Informações preliminares apontam que a aeronave teria caído no Mar Arábico.
O que mostram os últimos registros do voo?
Os dados do Flightradar24 indicam uma sequência incomum de movimentos nos minutos finais. A aeronave perdeu cerca de 1.500 metros de altitude em menos de um minuto. Logo depois, recuperou aproximadamente 1.800 metros em apenas 30 segundos, antes de iniciar um mergulho acentuado.
O último registro mostrava o cargueiro voando a cerca de 335 metros de altitude, com razão de descida próxima de 22.400 pés por minuto, velocidade considerada extremamente elevada para uma aeronave em voo controlado.
Informações preliminares apontam que o último contato ocorreu aproximadamente 287 quilômetros a oeste de Karachi. "Quando vemos um comportamento tão extremo, isso chama atenção, mas ainda é cedo para dizer o que aconteceu sem mais informações", afirmou o consultor em segurança da aviação Anthony Brickhouse à Reuters.
Especialistas ressaltam que os dados de rastreamento, isoladamente, não permitem concluir se houve falha mecânica, erro humano ou qualquer outro fator.
Como era o avião desaparecido?
O Boeing 737-400 pertence a uma geração anterior da família 737 e não tem relação com o modelo 737 MAX. A aeronave foi entregue em 1999 à companhia russa Aeroflot para operar voos de passageiros. Em 2012, passou por conversão para transporte de cargas e, desde então, operou em diferentes empresas.
A K2 Airways incorporou o cargueiro à frota em 2024. Este era o único avião operado pela companhia, que, em comunicado, informou que colabora com as autoridades responsáveis pelas buscas e pela investigação. A empresa não divulgou detalhes sobre a carga transportada nem sobre a identidade dos cinco tripulantes.
Onde acontecem as buscas?
As operações de busca concentram-se nas proximidades de Ormara, cidade localizada na província de Baluchistão, região sobrevoada pelo avião quando o contato foi perdido, ainda em território paquistanês.
Equipes de resgate e autoridades de aviação procuram destroços ou possíveis sobreviventes no Mar Arábico. Até a última atualização, nenhuma informação oficial confirmava a localização da aeronave.
O que acontece agora?
A investigação ficará sob responsabilidade das autoridades de aviação do Paquistão, com apoio dos órgãos especializados em acidentes aeronáuticos. Os investigadores deverão analisar as comunicações entre a tripulação e o controle de tráfego aéreo, os registros operacionais e os dados de rastreamento disponíveis.
No entanto, especialistas ressaltam que a localização da aeronave será fundamental para esclarecer as causas do desaparecimento. Sem os destroços e as caixas-pretas, os registros de radares permanecem como o principal conjunto de informações sobre os momentos finais do voo.
Caso sejam confirmadas vítimas, este será o primeiro acidente aéreo fatal registrado no Paquistão desde maio de 2020, quando um Airbus A320 da Pakistan International Airlines caiu durante uma tentativa de pouso em Karachi, matando 97 pessoas.
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