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Chile decreta toque de recolher em áreas afetadas por incêndios

Medida que atinge três regiões do país foi tomada para evitar roubos e saques, de acordo com as autoridades

Por Agências
Publicado em 09 de fevereiro de 2023 | 15:50
 
 
 

O governo chileno decretou toque de recolher noturno nas áreas mais atingidas pelos incêndios florestais no centro-sul do país, uma medida para evitar roubos e saques — anunciaram as autoridades nesta quinta-feira (9).

A restrição de circulação entra em vigor na sexta-feira (10) e ficará ativa de meia-noite até as 5h da manhã. Será implementada em 28 municípios das regiões de Biobío, Ñuble e La Araucanía, onde foi declarado estado de catástrofe pelo presidente Gabriel Boric.

Em Biobío, serão afetadas oito cidades, incluindo a de Santa Juana, considerada o epicentro da crise, disse o contra-almirante Jorge Keitel, responsável pela Defesa para a região. Ñuble também terá oito municípios alcançados pela medida.

Em La Araucanía, o chefe militar da região, general Rubén Castillo, informou que o toque de recolher em 12 de seus municípios implica restrições ao transporte público, “principalmente na província de Malleco”.

Esta é uma das áreas mais marcadas pelos confrontos entre grupos mapuches e forças do Estado, em um conflito histórico pelas reivindicações de terras dos indígenas.

Boric afirmou ontem que considerava "necessário" estabelecer toques de recolher para garantir a segurança das pessoas.

O ministro do Desenvolvimento Social, Giorgio Jackson, disse que a orientação do presidente Boric é "fazer tudo que estiver ao nosso alcance" para liberar a área para que brigadistas e bombeiros possam trabalhar, além de garantir a "segurança das famílias".

Favorecidos por ventos moderados e fortes, temperaturas acima dos 40°C e uma seca de mais de 13 anos, os incêndios florestais continuam aumentando no Chile desde seu início em 1º de fevereiro. São 323 deles ativos, e 90 estão sendo combatidos.

As autoridades subiram os alertas para esta quinta e sexta-feira, devido ao risco de o fogo se espalhar para outras regiões pelas altas temperaturas previstas.

Os incêndios, que já deixaram ao menos 24 mortos e pelo menos 2.196 feridos, devastaram uma área de mais de 343 mil hectares nas regiões de Ñuble, Biobío, La Araucanía e Maule, uma superfície equivalente a um terço do território de Porto Rico.

Em uma semana, as chamas destruíram 1.205 residências e deixaram 5.570 pessoas desabrigadas, de acordo com o balanço oficial.

Cooperação

Desde o começo da semana, partidos de oposição, prefeitos e organizações como a Corporação Chilena da Madeira (Corma), que reúne empresas florestais, pediram toques de recolher comunitários. 

Cerca de 20 pessoas foram presas por sua responsabilidade no início das queimadas. 

Também foi detido um empresário proprietário de um prédio que impediu um helicóptero, que trabalhava no combate ao incêndio, de tirar água de uma piscina de irrigação para isso.

Com a ajuda de contingentes de México, Colômbia, Espanha e Argentina, mais de 5.600 bombeiros e brigadistas florestais seguem tentando extinguir a onda de incêndios.

O DC-10 Ten Tanker, avião americano de combate ao fogo capaz de despejar 36 mil litros de água, voltou a operar nesta quinta, após uma falha mecânica que o impediu de funcionar na quarta-feira.

A crise atual se parece cada vez mais com a do início de 2017, quando uma série de incêndios devastou 460 mil hectares. Deixou 11 mortos, cerca de 6 mil feridos e mais de 1,5 mil casas destruídas.

Na época, os focos também haviam começado em áreas agrícolas e florestas, e depois avançaram para zonas habitadas.

(AFP)
 

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