racismo

Colombiana é condenada à prisão por ofensas racistas contra vice-presidente

O caso de racismo ocorreu em setembro do ano passado durante uma marcha convocada nas principais cidades da Colômbia

Por Agências
Publicado em 11 de setembro de 2023 | 19:30
 
 
 

A justiça colombiana condenou uma mulher a um ano e meio de prisão por proferir insultos racistas contra a vice-presidente Francia Márquez durante uma marcha da oposição em setembro de 2022, informou o Ministério Público nesta segunda-feira (11).

De acordo com o órgão de investigação, a acusada "reconheceu sua responsabilidade" durante o processo. Além da pena de prisão, ela terá que pagar uma multa equivalente a cerca de US$ 3.800 (R$ 18.756).

Uma juíza em Bogotá considerou que a mulher cometeu atos discriminatórios ao fazer comentários racistas que foram registrados em redes sociais e meios de comunicação.

O incidente ocorreu em setembro do ano passado durante uma marcha convocada nas principais cidades da Colômbia contra o governo de esquerda de Gustavo Petro, que havia assumido o poder em agosto de 2022.

Nesse contexto, os insultos de uma manifestante que se referiu a Márquez como "macaco", entre outros ataques relacionados à cor de pele dela, viralizaram em vídeos divulgados nas redes sociais.

Para o Ministério Público, esses comentários afetaram "a dignidade e integridade da vice-presidente da República, da comunidade afrodescendente e de um partido político colombiano".

Francia Márquez, de 41 anos, é uma ambientalista que surpreendeu nas eleições primárias de março, quando derrotou vários políticos tradicionais para se tornar a candidata à vice-presidência pelo movimento de esquerda Colômbia Humana.

Com o ex-senador e ex-guerrilheiro Petro, ela derrotou as elites brancas e conservadoras para se tornar a primeira vice-presidente afrodescendente da Colômbia, em uma campanha presidencial em que foi alvo de vários ataques racistas.

"O racismo fere aqueles que, como nós, padecemos dele (...) É a manifestação contemporânea e generalizada de uma ignorância profundamente enraizada nos tempos da escravidão", escreveu Márquez pouco depois de os insultos viralizarem em sua conta na rede social X, antigo Twitter, sem mencionar o vídeo que estava circulando.

Aproximadamente 9% dos 50 milhões de habitantes da Colômbia se identificam como afrodescendentes, em um país que pune atos de racismo ou discriminação com penas de até quatro anos de prisão.

(AFP)
                
 

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