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Democratas na Câmara dos EUA serão liderados por negro, mulher e latino

É a primeira vez que não haverá um homem branco no comando do partido no Congresso

Por Agências
Publicado em 30 de novembro de 2022 | 17:59
 
 
 

A renovação da liderança do Partido Democrata na Câmara dos Representantes dos EUA, nesta quarta-feira (30), marcou mais do que a chegada do primeiro parlamentar negro ao comando de uma legenda no Legislativo do país –o deputado Hakeem Jeffries, escolhido líder da legenda.

Os números 2 e 3 na hierarquia serão ocupados por uma mulher e um homem de origem latina. É a primeira vez que não haverá um homem branco no comando do partido no Congresso.

A mudança se dá depois de a atual presidente da Câmara, Nancy Pelosi, ter anunciado que não concorreria novamente à liderança democrata, em movimento que se seguiu à perda da maioria na Casa nas eleições legislativas de meio de mandato, no início do mês.

A nova configuração do Legislativo tomará posse em 3 de janeiro, com a presidência cabendo ao Partido Republicano. Por isso, Jeffries será líder da minoria.

Pelosi era líder dos democratas na Câmara desde 2003, e a indicação da nova liderança marca também uma mudança geracional. A deputada pela Califórnia tem 82 anos, e seu sucessor, de Nova York, está com 52. Ao lado dele, foram alçados aos postos mais altos Katherine M. Clark, 59, de Massachusetts, e Pete Aguilar, 43, da Califórnia.

Este último, descendente de mexicanos e eleito pela primeira vez em 2014, no ano que vem será ainda o latino com cargo mais alto no Congresso dos EUA.

As mudanças podem indicar uma atenção maior a pautas ligadas a minorias étnicas, o que por outro lado não significa um ganho de espaço da ala mais à esquerda do Partido Democrata. Isso porque, apesar de ser ligado a causas do movimento negro, Jeffries mantém uma linha centrista, ao estilo da antecessora, e marca a continuidade dos chamados "democratas mainstream" no comando da legenda.

Nascido no Brooklyn, Jeffries é advogado de formação e tentou entrar para a política algumas vezes antes de ser eleito deputado estadual em Nova York, em 2006. Seis anos depois, chegou à Câmara federal pela primeira vez. Entre seus projetos e bandeiras estão propostas a favor de populações negras, contra o abuso policial e na defesa da garantia do acesso ao voto a minorias.
Ele ganhou projeção sobretudo ao ser nomeado um dos "gerentes" do primeiro pedido de impeachment do então presidente Donald Trump, em 2020 –ele foi um dos sete parlamentares democratas que atuaram como uma espécie de procuradores no caso.

O cargo que assumirá em janeiro pode ainda catapultá-lo a presidente da Câmara –e número 2 na sucessão presidencial–, caso os democratas retomem a maioria nas próximas eleições, que ocorrerão em 2024.

Jeffries se afastou de pautas da esquerda do partido ao não assinar, por exemplo, uma resolução da deputada Alexandra Ocasio-Cortez, estrela dessa ala, demandando a criação do chamado "Green New Deal", pacote de contenção da crise climática com metas de redução das emissões de poluentes. Também já se manifestou a favor de propostas que penalizam empresas e cidadãos que apoiem movimentos de boicotes ao Estado de Israel.

Ainda que Jeffries tenha tido atritos com esse grupo, conseguiu unir a legenda nesta quarta e foi eleito por unanimidade. 

Dos três novos líderes, Katherine M. Clark é a única próxima da bancada mais progressista do partido. AOC parabenizou o trio nesta quarta. "Essa é a mudança geracional mais significativa que vimos nos democratas da Câmara em várias décadas. Acredito que nos beneficiaríamos de um debate sobre o que isso significa", afirmou.
Em comunicado, Pelosi também celebrou os colegas eleitos. "Junta, essa nova geração de líderes reflete a vitalidade e a diversidade de nossa grande nação –e eles irão revigorar nossa bancada com sua nova energia, ideias e perspectivas."

O grupo enfrentará uma Câmara dura a partir do ano que vem. O líder do Partido Republicano na Casa, Kevin McCarthy, principal cotado para assumir como presidente em janeiro, tem afirmado que abrirá investigações contra o presidente Joe Biden e bloqueará propostas de aumento de gastos –e que poderá até abrir processos de impeachment contra membros do gabinete do democrata.

Os republicanos também ameaçam reverter políticas do atual governo, por exemplo aprovando medidas para aumentar a segurança nas fronteiras e restringir a imigração. O Senado, vale lembrar, continuará com maioria pró-Biden.

(Thiago Amâncio / Folhapress)

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