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Exército de Israel anuncia fim de operação na Cisjordânia, que matou 13 pessoas

Ação é a maior em vários anos neste território ocupado pelos israelenses desde 1967

Por Agência
Publicado em 05 de julho de 2023 | 08:41
 
 
 
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O exército de Israel anunciou nesta quarta-feira (5) o fim da operação de dois dias em Jenin, na Cisjordânia ocupada, que deixou 12 palestinos e um soldado israelense mortos e provocou alguns confrontos na Faixa de Gaza. A incursão, a maior em vários anos neste território ocupado por Israel desde 1967, começou na segunda-feira, com a presença de centenas de soldados, drones e escavadeiras do exército.

"A operação está oficialmente concluída e os soldados deixaram a área de Jenin", norte da Cisjordânia, declarou à AFP um porta-voz militar. As tropas começaram a deixar a região na terça-feira à noite. 

Doze palestinos e um soldado israelense faleceram durante o ataque ao campo de refugiados de Jenin. E 100 palestinos ficaram feridos, informou o ministério da Saúde da Autoridade Palestina. A cidade e seu campo de refugiados, reduto de grupos armados palestinos e onde moram 18.000 pessoas, são alvos frequentes de operações israelenses. 

Nesta quarta-feira, enquanto os moradores do campo examinavam a destruição provocada pelos confrontos, milhares de pessoas se reuniram para a procissão funerária das vítimas palestinas.

"Em nossas almas e nosso sangue, vamos nos sacrificar por vocês, mártires", gritou a multidão, enquanto militantes armados atiraram para o alto.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que Jenin e seu campo de refugiados eram um "ninho de terroristas" e que o país fará o necessário para "erradicar o terrorismo". A ministra palestina da Saúde, Mai al Kaila, afirmou que a operação israelense era uma "agressão que desafia as leis internacionais".

Foguetes e bombardeios em Gaza 

A operação provocou uma série de confrontos em Gaza, a partir de onde foram lançados cinco foguetes contra o território de Israel que foram interceptados pelas Forças Armadas, anunciou o exército nesta quarta-feira.

Israel respondeu com bombardeios contra uma fábrica subterrânea do Hamas e uma unidade de produção de peças para foguetes, afirma um comunicado militar. Uma fonte palestina afirmou que o ataque atingiu um centro militar do movimento Hamas, que governa Gaza, mas sem provocar feridos.

Na terça-feira, um ataque realizado com um veículo deixou sete feridos em Tel Aviv, incluindo pessoas que estão hospitalizadas em estado grave. O motorista do carro era um "terrorista" residente na Cisjordânia, que foi morto por um civil, informou o chefe da polícia Yaakov Shabtai.

O Hamas celebrou o ataque como "a primeira resposta aos crimes cometidos contra nosso povo no campo de Jenin". A violência é cada vez mais intensa no norte da Cisjordânia, com operações quase diárias das forças israelenses.

Além disso, os ataques palestinos contra israelenses também aumentaram, assim como os efetuados por colonos israelenses contra a população árabe.

Batalha "heroica" 

O exército israelense revelou que a operação atingiu um "centro de operações conjuntas" de um grupo armado local, a Brigada de Jenin, e alvos que incluem seis "unidades de fabricação de explosivos". As Forças Armadas do Estado hebreu anunciaram a detenção de 30 suspeitos e a apreensão de armas e dinheiro, destinado ao financiamento de atividades terroristas.

As apreensões aconteceram em "apartamentos escondidos, em uma mesquita, em poços ocultos em zonas civis, em salas de comando militar e em veículos", afirma um comunicado. O grupo palestino Jihad Islâmica elogiou a batalha "heroica". "Jenin e seu campo continuarão sendo um terror que os persegue", afirma uma nota, em referência a Israel.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu o fim da violência em Israel e na Cisjordânia, que aumentou consideravelmente nos últimos meses. Desde o início do ano, a violência relacionada ao conflito israelense-palestino matou pelo menos 190 palestinos, 26 israelenses, uma ucraniana e um italiano, segundo um balanço da AFP com base em informações divulgadas por fontes oficiais.

Do lado palestino, os dados incluem combatentes e civis, entre eles menores de idade. Do lado israelense, a maioria são civis, mas também há menores, e três membros da minoria árabe. (AFP) 

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