Segundo Unicef

Guerra na Ucrânia e inflação mergulham milhões de crianças na pobreza

Estudo aponta que crianças sofrem as piores consequências da crise econômica causada pelo conflito

Por Agências
Publicado em 16 de outubro de 2022 | 21:50
 
 
 

A guerra na Ucrânia e a inflação resultante mergulharam milhões de crianças na pobreza na Europa Oriental e na Ásia Central nos últimos meses, alertou um estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) publicado nesta segunda-feira (17, noite de domingo em Brasília).

Nessas regiões, "a guerra na Ucrânia e o aumento da inflação mergulharam mais quatro milhões de crianças na pobreza, um aumento de 19% desde 2021", diz o estudo, que destaca que as crianças sofrem as piores consequências da crise econômica causada pelo conflito.

Embora sejam apenas 25% da população, as crianças representam quase 40% das 10,6 milhões de pessoas a mais na pobreza este ano, detalha o estudo, que abrange 22 países.

Com mais 2,8 milhões de crianças na pobreza, a Rússia responde por três quartos do aumento total registrado pelo Unicef. Isso se explica tanto por sua alta população quanto pela queda de 8% do PIB russo estimado pelo Unicef, o segundo pior número dos países analisados.

"As repercussões do conflito na Ucrânia são extremamente importantes na Rússia, porque a guerra diminui o acesso a um certo número de produtos básicos", diz  Adeline Hazan, presidente do Unicef França.

Por sua vez, a Ucrânia tem mais meio milhão de crianças em situação de pobreza, o segundo número mais relevante, seguida pela Romênia com 110.000.

"O Unicef levanta um grito de alarme sobre as consequências desta guerra e pede aos governos que forneçam um apoio extremamente forte à proteção social e lancem programas de assistência para as famílias mais vulneráveis com crianças", pede Hazan. As consequências da pobreza infantil vão além das dificuldades financeiras das famílias.

Quanto mais pobre é uma família, mais parte do orçamento é alocada para necessidades básicas, como alimentos e combustível. Com o preço desses produtos em alta, o dinheiro disponível para outras necessidades, como saúde ou educação, diminui.

Consequentemente, as crianças mais pobres têm menos opções de acesso a serviços essenciais e estão mais expostas à violência, exploração e abuso, explica a organização da ONU.

Este aumento da pobreza infantil na Europa Oriental e na Ásia Central pode causar a morte de 4.500 crianças antes do primeiro aniversário e causar dificuldades de aprendizagem para 117.000 menores devido ao abandono escolar em 2022, alerta o Unicef. (AFP)

    

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