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Israel é alvo de críticas após confrontos na mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém

A intervenção israelense terminou com 350 detidos, segundo a polícia, e 37 feridos

Por Agências
Publicado em 05 de abril de 2023 | 19:45
 
 
 
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A intervenção da polícia israelense na mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, provocou, nesta quarta-feira (5), uma chuva de críticas internacionais e uma escalada de disparos de foguetes de Gaza e de bombardeios israelenses em meio às celebrações da Páscoa judaica e do Ramadã muçulmano.

A intervenção israelense dentro de um dos locais mais simbólicos do mundo para os muçulmanos terminou com 350 detidos, segundo a polícia, e 37 feridos, de acordo com o balanço do Crescente Vermelho palestino.

O movimento islamita Hamas, que governa a Faixa de Gaza, denunciou um "crime sem precedentes" e convocou os palestinos da Cisjordânia ocupada "a comparecerem em massa à mesquita de Al-Aqsa para defendê-la".

O templo fica na Esplanada das Mesquitas, o terceiro local mais sagrado do islã, em Jerusalém Oriental, o setor palestino da Cidade Sagrada ocupado e anexado por Israel. A Esplanada está construída sobre o que os judeus chamam de Monte do Templo, o local mais sagrado do judaísmo.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou sentir-se "impactado e consternado" com "a violência e as agressões" das forças israelenses dentro da mesquita, segundo seu porta-voz, Stéphane Dujarric. O governo americano também declarou-se "extremamente preocupado" e pediu moderação a ambas as partes.

As forças de segurança de Israel entraram durante a noite na mesquita, "quebrando portas e janelas", quando os fiéis estavam no local para rezar, relatou Abdelkarim Ikraiem, um palestino de 74 anos que estava no templo. Eles levavam "cassetetes, bombas de gás lacrimogêneo e bombas de fumaça, e agrediram os fiéis", declarou à AFP.

Em um comunicado, a polícia denuncia a ação de "vários jovens criminosos e agitadores mascarados, que entraram com fogos de artifício, pedaços de pau e pedras" na mesquita.

"Os líderes ficaram entrincheirados dentro da mesquita durante várias horas (após a última oração vespertina) para perturbar a ordem pública e profanar a mesquita, enquanto gritavam frases que incitavam o ódio e a violência", acrescenta a nota.

A polícia israelense divulgou um vídeo que mostra explosões do que pareciam ser fogos de artifício dentro do santuário e o que parecem ser pessoas atirando pedras. Em outro vídeo da polícia, agentes da tropa de choque avançam em direção à mesquita e usam escudos como proteção aos disparos de foguetes.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que as forças de segurança se viram "obrigadas a agir para restabelecer a ordem" frente aos "extremistas".

Comoção em países muçulmanos

O ministro palestino de Assuntos Civis, Hussein Al-Sheikh, afirmou que "o nível de brutalidade [da polícia israelense] exige uma ação urgente palestina, árabe e internacional".

A Jordânia, que administra os locais sagrados muçulmanos de Jerusalém, condenou o "ataque" à mesquita e pediu às forças israelenses que se retirem imediatamente do local.

A Liga Árabe, que organizou uma reunião extraordinária, acusou Israel, "potência ocupante", pela situação e alertou contra qualquer "provocação" que possa ferir "os sentimentos dos fiéis".

O Marrocos, que normalizou as suas relações com Israel no final de 2020, condenou "firmemente" a intervenção e apelou ao "respeito pelo estatuto jurídico, religioso e histórico" de Jerusalém e dos lugares sagrados.

Após os confrontos em Al-Aqsa, vários foguetes foram disparados a partir do norte da Faixa de Gaza em direção ao território de Israel, segundo jornalistas da AFP e testemunhos.

Em represália, o Exército israelense executou ataques aéreos contra o que afirmou serem instalações militares do Hamas na Faixa de Gaza, onde dezenas de pessoas haviam protestado horas antes.

Nesta quarta-feira à noite, outros dois foguetes foram lançados a partir de Gaza. O Exército israelense indicou que um deles caiu do lado de Gaza e outro, "no setor da barreira fronteiriça" que separa os dois territórios.

O conflito israelense-palestino ficou ainda mais tenso nos últimos meses, após a posse, em dezembro, de um dos governos mais à direita da história de Israel.

A violência deixou quase 110 mortos desde janeiro e escalou no fim de semana passado, após uma calma relativa que era observada desde o início do Ramadã, em 23 de março.

(AFP)
                
 

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