Estupros e agressões

Israel investiga crimes de violência sexual cometidos pelo Hamas em 7 de outubro

A polícia está recolhendo evidências médicas, imagens de câmeras de vigilância e informações conseguidas durante os interrogatórios de combatentes palestinos detidos após o ataque

Por Agências
Publicado em 14 de novembro de 2023 | 21:59
 
 
 

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A polícia israelense anunciou, nesta terça-feira (14), que investiga estupros, mutilações e outras denúncias de violência sexual contra mulheres cometidas por comandos do Hamas que atacaram o sul do país em 7 de outubro, em casos que se anunciam longos e delicados.

Naquele dia, combatentes do Hamas se infiltraram em Israel vindos da Faixa de Gaza, governada por esse movimento islamista, e cometeram ataques contra civis de magnitude e violência inéditas desde a criação do Estado de Israel, em 1948. Cerca de 1.200 pessoas morreram, a maioria civis, segundo as autoridades.

David Katz, um dos chefes da unidade da polícia criminal Lahav 443, anunciou que "vários casos" de agressões sexuais estão sendo analisados. Além disso, estão recolhendo evidências médicas através de sobreviventes, imagens de câmeras de vigilância e informações conseguidas durante os interrogatórios de combatentes palestinos detidos após o ataque.

"Esta investigação [...] é a mais importante de nossa história", considerou o comissário da polícia de Israel, Yaakov Shabtai.

Segundo especialistas em Direito consultados pela AFP, os ataques de 7 de outubro poderiam constituir crimes de guerra, em virtude da definição que consta no estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional (TPI), que inclui o estupro.

A polícia apresentou à imprensa internacional vários dos documentos nos quais se baseou para abrir a investigação, que durará "vários meses", segundo Katz.

Em uma foto feita na festa rave no kibutz Reim (sul), alvo dos ataques, vê-se uma mulher com a parte inferior do corpo sem roupa, deitada de bruços, com as pernas abertas e com queimaduras na cintura e nas extremidades. Em outra imagem aparece uma mulher nua e com as pernas abertas.

A polícia também difundiu o testemunho gravado de uma sobrevivente da matança na festa rave.

A jovem, "S.", conta que viu vários homens estuprando uma mulher. "Eles a agarraram pelos cabelos. Um homem atirou na cabeça dela enquanto a estuprava", afirma.

Testes de DNA e fotos

"A grande maioria das vítimas de estupro e de outras agressões sexuais do 7 de outubro, como mutilações genitais, foi assassinada e nunca poderá dar seu testemunho", afirmou Cochav Elkayam Levy, presidente de uma comissão parlamentar que investiga os crimes cometidos contra as mulheres em 7 de outubro.

Dean Elsdunne, porta-voz da polícia israelense, indicou que foram realizados exames forenses na "zona de combate", em "corpos que foram recuperados" e levados à base militar de Shura, no centro de Israel.

"Reunimos pistas visuais, testes de DNA, fizemos fotos detalhadas dos corpos", detalhou.

Contudo, dos 1.200 corpos identificados, "centenas" se encontravam em péssimo estado, segundo a polícia.

No centro de identificação de cadáveres de Shura, o doutor Alon Oz, encarregado dos corpos de "centenas de soldados" que figuram também entre as vítimas de 7 de outubro, disse à AFP que viu "mulheres queimadas com mãos e pés amarrados". 

"Vi [feridas de] disparos nas partes íntimas [...] uma cabeça e membros decepados", disse, acrescentando que alguns soldados do sexo masculino também foram objeto de mutilações.

'Pélvis fraturadas'

Segundo uma pessoa encarregada de limpar os corpos, que pediu para ser identificada como Sherry, vários membros da equipe viram "pernas e pélvis fraturadas".

Depois de fazerem explodir o posto fronteiriço de Erez entre Israel e a Faixa de Gaza, os combatentes do Hamas chegaram rapidamente a uma base militar israelense dedicada à guarda da fronteira, uma tarefa geralmente executada por soldados mulheres.

Várias delas foram sequestradas ali, segundo os testemunhos de sobreviventes.

Uma delas não demorou a aparecer em um vídeo divulgado pelo Hamas, em um veículo, com feridas nos tornozelos e a parte traseira das calças manchada de sangue.

Por ora, o investigador David Katz diz que não pode afirmar que o Hamas tivesse ordenado a seus homens que estuprassem as mulheres, mas, garantiu, "nada foi feito por acaso".

Nos hospitais que podem receber as reféns libertadas, foi implementado um protocolo, concebido por associações feministas e de ajuda às vítimas, para treinamento do pessoal de saúde. (AFP)

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