Encontro

Presidentes latinos se reunirão no México para frear migração ilegal para os EUA

Devem comparecer os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro, de Cuba, Miguel Díaz-Canel, do Equador, Guillermo Lasso, da Guatemala, Alejandro Giammattei, de Honduras, Xiomara Castro, e da Venezuela, Nicolás Maduro

Por Agências
Publicado em 20 de outubro de 2023 | 18:53
 
 
 
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Presidentes e chanceleres latino-americanos se reunirão no próximo domingo (22), no México, para buscar um acordo que ajude a frear a migração ilegal para os Estados Unidos, que somaram essa problemática aos seus desafios globais.

Convocados pelo México, os presidentes se reunirão em Palenque, no estado de Chiapas (sul), porta de entrada para centenas de milhares de pessoas que se lançam à perigosa travessia para fugir da pobreza, que segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), atinge 32,3% dos latino-americanos.

Somente em 2023, 1,7 milhão de pessoas chegaram à fronteira com os Estados Unidos através do México, de acordo com o governo do presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador. Muitos o fizeram após pagarem grandes somas a traficantes de pessoas, muitas vezes aliados a cartéis do narcotráfico. “Há muito dinheiro envolvido” no tráfico de pessoas", ressaltou à AFP uma fonte do governo americano.

"Precisamos concordar porque podemos fazer muitas coisas sozinhos. E também, se concordarmos, buscar a cooperação do governo dos Estados Unidos para ajudar", disse López Obrador.

O presidente do México confirmou a presença de seus pares de Colômbia, Gustavo Petro; Cuba, Miguel Díaz-Canel; Equador, Guillermo Lasso; Guatemala, Alejandro Giammattei; Honduras, Xiomara Castro, e Venezuela, Nicolás Maduro, que chegou a um acordo com os Estados Unidos sobre um programa de deportações em massa. O primeiro-ministro do Haiti, Ariel Henry, também participará do encontro.

Desses países sai a maioria dos migrantes, muitos dos quais atravessam a selva de Darién, localizada entre Colômbia e Panamá.

Enfoque regional

A chanceler do México, Alicia Bárcena, explicou ao Congresso que o acordo de Palenque visa criar condições de bem-estar social que desestimulem a migração, além de abordar as sanções de Washington contra países como Venezuela e Cuba e "vias de mobilidade laboral" para os Estados Unidos.

O objetivo do México é tirar a pressão que recai sobre o país e dar um enfoque regional para o problema. "Será uma cúpula muito declarativa, mas, pelo menos, vemos o início de um diálogo com os países do sul", disse Dolores París Pombol, especialista do Colegio de la Frontera Norte, em Tijuana (noroeste).

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pediu hoje ao Congresso 13,6 bilhões de dólares para reforçar a fronteira com o México, gerir a imigração ilegal e lutar contra o fentanil. A crise migratória é um dos obstáculos no caminho do democrata para a reeleição em 2024.

Biden chegou a um acordo com Maduro para permitir que os Estados Unidos deportem venezuelanos em voos diretos e suspendam temporariamente as sanções econômicas.

Não importa quantos agentes da patrulha fronteiriça americana haja no rio Bravo se a situação no Haiti ou na Venezuela não mudar. “Não adiantará se não forem combatidas as causas da migração", advertiu a fonte da Casa Branca.

'Política incongruente'

Em mensagem sobre a reunião de cúpula em Palenque, a Anistia Internacional pediu para se "garantir o direito de solicitar asilo e o princípio da não devolução", além do fim da estigmatização e discriminação dos migrantes.

"Os migrantes voltam a ser usados como moeda de troca, mas o problema é de tal magnitude que isso é mais um gesto político do que um passo real para uma solução", observou Dolores Pombol. Segundo a especialista, as medidas rígidas impostas pelo ex-presidente republicano Donald Trump foram seguidas por uma "política incongruente" de Biden.

"Dão certa prioridade a determinados países, mas, depois, fecham abruptamente a porta e mudam os programas, o que gera um efeito de 'chamada' que é aproveitado pelas redes de tráfico de pessoas", ressalta, em uma referência à regularização de milhares de haitianos, venezuelanos, cubanos e nicaraguenses.

Em setembro, o México aceitou receber os migrantes que a Patrulha Fronteiriça expulse pela ponte em Ciudad Juárez, que liga os dois países, para repatriá-los. Até então, essas pessoas permaneciam livres em território mexicano e tentavam repetidamente entrar nos Estados Unidos. (AFP)

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