Meio ambiente

Proposta de redução das energias fósseis provoca crise em negociação da COP28

Um novo texto, resultado das conversas noturnas, deve ser divulgado nesta terça-feira, segundo os delegados

Por Agências
Publicado em 11 de dezembro de 2023 | 21:56
 
 
 
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As negociações da COP28 continuaram até altas horas da noite em torno do compromisso proposto pelo presidente dos Emirados Árabes, amplamente rejeitado por sua falta de ambição em torno da eliminação dos combustíveis fósseis.

Nas primeiras horas desta terça-feira (12), último dia da conferência climática de Dubai, os países ocidentais, Estados insulares, países africanos e latino-americanos reiteraram sua oposição ao texto, durante uma reunião a portas fechadas, informaram negociadores à AFP.

Os líderes das negociações entraram em uma sala do centro de convenções de Dubai para tentar encontrar uma saída, sob o comando do presidente da COP28, Sultan Al-Jaber.

"Esta é a última COP na qual teremos a oportunidade de conseguir manter vivo o objetivo de 1,5 ºC", ressaltou o enviado dos Estados Unidos para o Clima, John Kerry, durante a sessão, que terminou por volta das 2h30 locais.

Um novo texto, resultado das conversas noturnas, deve ser divulgado nesta terça-feira, segundo os delegados. Mas a aposta de Al-Jaber de obter um acordo histórico às 11h foi perdida.

As nações que assinaram o Acordo de Paris de 2015 "reconhecem a necessidade de reduções profundas, rápidas e sustentáveis das emissões" de gases de efeito estufa e, consequentemente, pedem "ações que possam incluir" toda uma bateria de medidas, segundo o rascunho. Entre elas está a "redução do consumo e produção".

Também se propõe como opção "eliminar" ("phase out") os subsídios "ineficientes" aos combustíveis fósseis, e fazê-lo "o mais rápido possível".

O texto renova o apelo a favor das energias renováveis, inclui a energia nuclear como opção "limpa" e também as polêmicas tecnologias de retenção e captura de CO2, ainda em desenvolvimento.

"Ainda temos muito pela frente", reconheceu o presidente da cúpula, o emiradense Sultan Al-Jaber.

"Apreciamos o esforço de muitos neste texto", explicou um porta-voz do Departamento de Estado. Porém, a questão dos combustíveis fósseis "deve ser reforçada substancialmente", afirmou.

É "claramente insuficiente", afirmou a ministra de Transição Ecológica espanhola, Teresa Ribera.

O texto é "um retrocesso", criticou a principal aliança de organizações ambientalistas, a Climate Action Network.

"As nossas vozes não foram ouvidas", explicaram os pequenos Estados insulares, os mais ameaçados pelo aumento do nível do mar.

Corrida contra o tempo

"Estamos em uma corrida contra o tempo" para encontrar um consenso, destacou o secretário-geral da ONU, António Guterres, presente em Dubai para encorajar os diplomatas, depois de mais de dez dias de longas reuniões.

Guterres defendeu uma menção específica à eliminação das energias fósseis. Mas "isso não significa que todos os países devam abandonar as energias fósseis ao mesmo tempo", admitiu o chefe da ONU perante os jornalistas.

A COP de Dubai não é apenas a maior já organizada, mas também a primeira a fazer um balanço da ação climática desde o Acordo de Paris, que impôs o objetivo de tentar manter a temperatura média global em +1,5 ºC em comparação à era pré-industrial.

Al-Jaber é presidente da companhia petrolífera nacional do seu país, o que levanta suspeitas de conflito de interesses há meses.

Arábia Saudita e Iraque, duas grandes potências petrolíferas, expressaram publicamente sua oposição à palavra "eliminação" dos combustíveis fósseis na última grande reunião plenária, no domingo.

Cientistas insistem em que as emissões de gases do efeito estufa não estão diminuindo e que é necessário adotar medidas drásticas o mais rapidamente possível.

O objetivo compartilhado por representantes das quase 200 nações reunidos em Dubai é alcançar a neutralidade de carbono, ou seja, que as emissões e capturas somem zero, até 2050.

A COP28 confirmou o Azerbaijão como sede da próxima COP, e o Brasil no ano seguinte. Ao fazer seus agradecimentos, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pediu a redução da dependência dos combustíveis fósseis. (AFP)

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