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Terceiro premier britânico do ano, Sunak promete corrigir erros

Bilionário prometeu colocar a estabilidade e a confiança econômicas no centro do programa de governo

Por Agências
Publicado em 25 de outubro de 2022 | 22:03
 
 
 

O conservador britânico Rishi Sunak foi nomeado nesta terça-feira primeiro-ministro - o terceiro do país neste ano, depois de Boris Johnson e da efêmera Liz Truss - com a promessa de corrigir os erros que agravaram a crise econômica, o que irá exigir "decisões difíceis".

Esse ex-executivo do setor bancário e multimilionário, 42 anos, neto de imigrantes indianos, chega ao poder em um momento complicado. Ele enfrenta uma crise econômica e social agravada pelos planos ultraliberais de Truss em meio à inflação elevada, à divisão do Partido Conservador que não para de aumentar desde o referendo do Brexit em 2016 e à necessidade de convencer o país de sua legitimidade como chefe de Governo.

"Alguns erros foram cometidos", declarou em seu primeiro discurso, pronunciado diante da célebre porta do número 10 de Downing Street. 

"Fui escolhido como líder do meu partido e primeiro-ministro de vocês, em parte para solucioná-los, e este trabalho começa imediatamente", completou.

Sunak prometeu colocar "a estabilidade e a confiança econômicas no centro do programa de governo", mas advertiu que para isto "será necessário tomar decisões difíceis".

Sua chegada ao poder pareceu tranquilizar os mercados, em turbulência há semanas: a libra subiu 1,79% em relação ao dólar.

'Bem do país'

Sunak foi designado ontem novo líder do governante Partido Conservador. Nesta terça-feira, durante audiência no Palácio de Buckingham, o rei Charles III o convidou a formar o governo na qualidade de líder da maioria parlamentar. Ele se tornou, assim, o primeiro chefe de governo britânico procedente de uma minoria étnica e o mais jovem em mais de 200 anos.

Charles III recebeu, alguns minutos antes, o pedido de renúncia oficial de Liz Truss, de 47 anos, que renunciou ao cargo de primeira-ministra na quinta-feira passada, sob intensa pressão dos mercados e de seu partido devido ao caos financeiro provocado por suas polêmicas políticas fiscais em apenas sete semanas no poder.

"Desejo a Rishi Sunak todo o sucesso pelo bem de nosso país", declarou em um breve discurso de despedida.

O ministro das Finanças britânico, Jeremy Hunt, nomeado por Truss há 11 dias, permanecerá no cargo. James Cleverly e Ben Wallace também foram mantidos nas pastas de Exteriores e Defesa, respectivamente.

O ex-chefe da diplomacia Dominic Raab foi nomeado ministro da Justiça e vice-primeiro-ministro. A ultraconservadora Suella Braverman foi renomeada ministra do Interior nesta terça. Penny Mordaunt, adversária de Sunak na sucessão de Truss, manteve o cargo de ministra das Relações Parlamentares.

Entre as felicitações de líderes internacionais, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, chamou a nomeação de Sunak de "pioneira" e "excepcional", e afirmou que o Reino Unido continuava sendo "o aliado mais próximo" de Washington, informou Downing Street, após um telefonema entre Sunak e o líder americano.

Múltiplos desafios

Na política internacional, Sunak prometeu seguir apoiando a Ucrânia contra a invasão russa, uma "guerra terrível que deve ser realizada com êxito até sua conclusão". Londres se comprometeu a ajudar Kiev com até 2,3 bilhões de libras (2,6 bilhões de dólares), um auxílio que fica atrás apenas dos Estados Unidos.

Em seu primeiro telefonema a um líder estrangeiro desde que assumiu o cargo, Sunak destacou ao presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, o "apoio inabalável" de seu país à Ucrânia, segundo Downing Street.

Além da crise econômica, que pode deixar o Reino Unido paralisado por várias greves no inverno (hemisfério norte, verão no Brasil), e das disputas internas entre os conservadores, Sunak precisa superar o desafio de estabelecer sua legitimidade diante de uma opinião pública que não votou nele.

O Partido Conservador conquistou com Boris Johnson uma maioria esmagadora nas eleições legislativas de 2019, a maior da direita britânica em 40 anos.

Mas desde então, o país mudou duas vezes de primeiro-ministro. A primeira vez com Truss, após uma votação com a participação de apenas 170.000 filiados do partido. A segunda com Sunak, graças ao apoio de pouco menos de 200 dos 357 deputados conservadores. 

Uma pesquisa do instituto Ipsos mostra que 62% dos eleitores britânicos, em um país de 67 milhões de habitantes, desejam a convocação de eleições gerais antecipadas.

As próximas legislativas estão previstas para janeiro de 2025, no mais tardar e, embora o Partido Trabalhista registre grande vantagem nas pesquisas de intenção de voto, a formação opositora não pode forçar uma antecipação do pleito.

Para obter a mudança de data, dezenas de deputados conservadores teriam que votar com a oposição, o que parece muito improvável diante de sua anunciada derrota nas urnas.

(AFP)
                
 

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