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'Vamos a Lima' protestar, promete líder indígena no Peru

Indígenas querem relembrar marcha de três dias que, saindo dos quatro cantos do Peru, em julho de 2000, resultou na queda de Alberto Fujimori

Por Agências
Publicado em 16 de janeiro de 2023 | 18:32
 
 
 

"Vamos à capital para fazer ouvir nossa voz de protesto", promete o dirigente andino, que se prepara com centenas de camponeses para ir de Puno até Lima pedir a renúncia da presidente, Dina Boluarte, como parte dos protestos que duram cinco semanas e já deixaram 42 mortos.

"Definitivamente, já está acertado (com camponeses de outras regiões): vamos fazer ouvir nossa voz de protesto", disse à AFP Jimmy Mamani, presidente da Associação de Centros Povoados da província El Collao, uma área aimara da região de Puni, fronteiriça com a Bolívia.

Mamani, prefeito da cidade de San Isidro, está entre as centenas de camponeses dispostos a iniciar na tarde desta segunda-feira um trajeto de 1.350 km que separa sua comunidade da capital peruana.

"Vamos entrar pelos quatro cantos de Lima (norte, sul, leste, oeste).  Queremos fazer uma mobilização pacífica, sem inconvenientes", acrescentou.

'A marcha dos Quatro Suyos'

"Será como a marcha dos Quatro Suyos", explica, em alusão à multitudinária marcha de três dias que, saindo dos quatro cantos do Peru, em julho de 2000, resultou na queda do regime autocrático de Alberto Fujimori (1990-2000), em novembro daquele ano.

"Não é justo que o Executivo não possa escutar nossos pedidos, eles fazem ouvidos moucos. Na verdade, já estamos incomodados e a esta altura dialogar com eles é algo que não é possível", explica o dirigente.

A plataforma de reivindicações é política e se resume a três pontos: renúncia de Boluarte, eleições imediatas e convocação de uma Assembleia Constituinte. O governo já rejeitou estes pedidos.

A vanguarda no caminho

Ao menos 3.000 moradores da cidade de Andahuaylas (sudeste), na região de Apurímac, estavam a caminho de Lima nesta segunda-feira em um comboio de veículos e caminhões.

De Cusco, dezenas de camponeses se organizavam para sair rumo à capital nas próximas horas. O governo de Boluarte estendeu o estado de emergência por 30 dias em Lima, Cusco, Callao e Puno para conter os protestos, autorizando os militares a intervirem juntamente com a polícia para manter a ordem pública.

Também estendeu por 10 dias o toque de recolher das 20h às 4h em Puno, epicentro dos protestos.

Os bloqueios viários continuam determinando o ritmo dos protestos. Nesta segunda, amanheceram bloqueados 99 trechos de rodovias em dez das 25 regiões do país.

Na região de La Libertad (norte), pela primeira vez este ano moradores bloquearam com pneus em chamas a rodovia pan-americana norte, que liga Lima a este extremo do país.

'Canhões ou manteiga'

O governo assegura desde o fim de semana que vai evitar qualquer tumulto em Lima, mas ao mesmo tempo, ressalta que respeita o direito ao protesto e às manifestações pacíficas, proibidas enquanto está em vigor o estado de emergência. 

"Temos informação de que estão trasladando cidadãos do interior do país", disse o ministro da Defesa, Jorge Chávez, advertindo que o governo fará o que estiver ao seu alcance para "evitar uma situação de violência".

"Faço um apelo à paz: que estas manifestações sejam realizadas de forma pacífica e que não gerem atos de violência", acrescentou.

Os protestos deixaram ao menos 42 mortos, mais de 500 feridos e cerca de 300 detidos em cinco semanas, segundo a Justiça.

O chefe de gabinete, Alberto Otárola, disse ter proposto estender pontes de diálogo com as regiões rebeldes de Cusco e Puno (sul).

"Estamos dedicados a estender pontes de diálogo, especialmente com Puno e Cusco, e estamos certos de que vamos consegui-lo", assegurou Otárola.

Boluarte, uma advogada de 60 anos, assumiu a Presidência em 7 de dezembro depois que o Congresso destituiu seu antecessor, Pedro Castillo, por seu autogolpe frustrado.

Na sexta-feira, a presidente pediu perdão pelas mortes provocadas pela crise e instou os legisladores a acelerarem os trâmites para a realização de eleições antecipadas em abril de 2024.

(AFP)
 

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