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Luiz Cabral Inácio

Um herói cada vez mais hilariante e abundante

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PUBLICADO EM 17/05/18 - 03h00

Quando você pensa que já viu de tudo nesta vida (e nos cinemas), aí vem o Deadpool e páááh, nos surpreende com um segundo filme ainda mais ousado, mais engraçado e muito mais maluco. Após o enorme sucesso do primeiro longa do anti-herói desbocado da Marvel em 2016, a sequência “Deadpool 2”, que estreia hoje nos cinemas, é pra deixar qualquer fã dos quadrinhos de heróis e do humor negro e pastelão em êxtase total.

Como era de se esperar, o filme do diretor David Leitch usa e abusa do humor ácido e emblemático do personagem, numa metralhadora de piadas que fugiu dos padrões dos filmes de super-heróis, e aumenta o nível das cenas de ação. Tudo é possível para o mercenário que, após mutação genética no primeiro filme, tem superpoderes e a capacidade de se regenerar facilmente. É nesse ponto, inclusive, que a produção se diverte o tempo todo, em que pernas arrancadas e braços quebrados e contorcidos são naturais como num filme de Tarantino. É uma violência gratuita e sem dó que dá gosto, tudo alinhado à zoação e aos comentários infinitos do protagonista tagarela. 

Ele fala tanto que conversa até com o público. Desde o primeiro filme que Deadpool é conhecido por quebrar a quarta parede - que, numa explicação rápida e objetiva, significa interagir com um universo diferente do que está inserido. Nesse segundo filme, então, o personagem parece ligado nos 220 v, interagindo não só com o público, mas com a indústria do cinema, da música, do showbiz e com a cultura pop. As piadas envolvem Wolverine e todos os X-Men, Harry Potter, Vingadores, Robocop, os heróis da concorrente DC Comics, até Josh Brolin, que interpretou Thanos em “Vingadores: Guerra Infinita” e agora vive Cable, o vilão de “Deadpool 2” que vem do futuro fortemente armado e perigoso. Ele manda até você pesquisar no Google o que é dubstep, um gênero de música eletrônica que se originou em Londres no fim da década de 90 – e por falar em música, a trilha que vai de Celine Dion e Cher a Wham! e A-Ha.

É tanta referência e interação que você fica um tanto perdido. Só vai querer saber de rir e gargalhar. E as risadas acontecem naturalmente, realmente uma atrás da outra. Tudo por causa de Ryan Reynolds, que também produz, assina o roteiro e, mais uma vez, prova que caiu como uma luva na pele do anti-herói aspirante a X-Men. Ele faz piada com si mesmo e com sua carreira o tempo todo. E isso é muito divertido. Tudo de uma maneira tão genuína que você fica esperando a próxima piada ou ele “conversar” com você. 

Assim, nada no filme é levado a sério, num espírito zoeiro sem fim, talvez por isso encante e divirta tanto. O tom usado é extremamente descontraído e leve, mesmo diante das cenas recheadas com a mais tensas cenas de ação, com muito sangue e mortes. E os outros atores/personagens também entram na dança. O jovem Russell Collins (Julian Dennison), a mutante da sorte Dominó (Zazie Beetz), o amigo Fuinha (T. J. Miller) e a mocinha Vanessa (vivida pela brasileira Morena Baccarin), além do vilão Cable, se destacam, dão o tom necessário ao senso de humor do protagonista, mas o longa é mesmo de Deadpool. Dá vontade de ver de novo por ele, esse boca suja apaixonante, esse politicamente incorreto impiedoso e cativante. O que nos resta é esperar pelas cenas pós-créditos (são imperdíveis e impagáveis) e pelo poder de X-Force em “Deadpool 3”, isso é estimulante. Um herói tão espirituoso e brilhante merece ser abundante.

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