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Raimundo Couto

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Mesmo que pareça sutil, com a conquista da chapa de oposição, que preferiu o consenso, e não o confronto direto, fica clara uma mudança de postura da Anfavea

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Mesmo que pareça sutil, com a conquista da chapa de oposição, que preferiu o consenso, e não o confronto direto, fica clara uma mudança de postura da Anfavea
PUBLICADO EM 06/02/19 - 03h00

Há muito tempo, a alternância de poder na poderosa Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) não ultrapassava os limites de sua sede na avenida Indianápolis, em São Paulo, para ganhar alguns centímetros nas páginas especializadas em economia dos principais veículos impressos do país. Isso porque, pela primeira vez, nestas mais de seis décadas de fundação da entidade, associados que nunca tiveram o comando da Anfavea se uniram para criar uma chapa de oposição e disputar a presidência da entidade. Não conseguiram, mas deram um importante passo para quebrar este status quo que elege sempre os mesmos fabricantes, em sistema de rodízio, para gerir o rumo de uma das mais fortes associações do país, que reúne em uma mesma mesa de negociação gigantes da indústria multinacional e fabricantes de veículos automotores.

É importante respeitar o trabalho bandeirante e pioneiro das indústrias que aqui chegaram em meados dos anos 50 e desbravaram o mercado nacional do varejo automobilístico. Da mesma forma, também é preciso reconhecer que a realidade é construída todos os dias e que os conhecidos como “newcomers”, que por aqui aportaram no fim da década de 90 e início dos anos 2000, mudaram o panorama do setor. Sem contar que estabeleceram a saudável concorrência e fizeram descortinar um novo horizonte aos consumidores que, até então, só podiam contar com poucas e defasadas opções de modelos.

A chegada das japonesas Honda, Toyota e Nissan, da sul-coreana Hyundai e das francesas Renault, Peugeot e Citroën, só para ficar nas mais conhecidas, na verdade, mudou tudo. O mundo é outro, e evoluir é preciso. Para que o leitor tenha a exata noção do peso da Anfavea, um pouco de história ajudará a elucidar a celeuma em relação à disputa pelo poder na Anfavea. Tudo começou no dia 15 de maio de 1956, quando foi inaugurada a associação dos fabricantes de automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas e rodoviárias. Naquela ocasião, ela contava com oito associados – Ford, General Motors, Vemag, Mercedes-Benz, Volkswagen, Willys Overland, International Harvester e Brasmotor.

Um mês e três dias depois da fundação da Anfavea, por meio do Decreto Federal 39.412, foi criado o Grupo Executivo da Indústria Automobilística (Geia), a partir do plano de metas de Juscelino Kubitschek, que viabilizou as primeiras fábricas a se instalaram no ABC paulista. A partir daí, começou de verdade o desenvolvimento industrial no Brasil. A Fiat veio engrossar a fileira, em 1976, junto de Volkswagen, Ford e General Motors, que formaram o até hoje chamado “quarteto das grandes”, que por muitos anos dividiram o bolo do mercado automotivo brasileiro. De lá para cá, 63 anos se passaram. Hoje, a Anfavea tem 27 fabricantes de veículos e responde por 22% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial, gerando diretamente cerca de 130,5 mil empregos.

Voltando a falar sobre a atual troca de poder na Anfavea, foi acordado que a presidência ainda se manterá nas mãos de um tradicional fabricante, a Mercedes-Benz, por meio do diretor de assuntos corporativos, o executivo Luiz Carlos de Moraes, mas na vice-presidência tomará posse um integrante das marcas “recém-chegadas”, no caso, do Grupo PSA (Peugeot/Citroën), Fabricio Biondo. A dupla ficará à frente da Anfavea até 2022. A posse será no dia 23 de abril e, mesmo que pareça sutil, com a conquista da chapa de oposição, que preferiu o consenso, e não o confronto direto, fica clara uma mudança de postura da entidade diante da atual realidade do mercado.

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