Sou profissional da contabilidade desde 1971, quando me formei no glorioso Imaco, em suas saudosas instalações no parque municipal aqui, em Belo Horizonte.
Nestes 52 anos de profissão, dos quais quase 30 anos atuei também no magistério superior, à noite, sempre procurei me atualizar para poder exercer adequadamente o meu mister.
Sempre participei de eventos técnicos, tanto em nível estadual, federal e até mesmo internacional, seja como mero espectador e até mesmo como autor de artigos sobre a matéria.
Tivemos agora, nos dias 21 a 23 de junho de 2023, no Expominas, a realização da XIV Convenção de Contabilidade de Minas Gerais, organizada pelo Conselho Regional de Contabilidade, com temas variados, a exemplo das outras convenções já realizadas.
Entretanto, diante dos temas abordados para os quase 2.000 profissionais lá inscritos, me pus a pensar sobre os atributos necessários para a permanência destes profissionais no seu mercado de trabalho. Até pensei que estava em outro evento!
Não houve discussão de normas técnicas; de discussão sobre alguma nova lei tributária – apesar de estarmos diante de um “arcabouço fiscal” e de mais uma discussão sobre a reforma tributária, tantas vezes discutidas e quase sempre adiada. Basicamente não tivemos nenhum outro modelo de apresentação das demonstrações contábeis e algum estudo sobre um novo modelo de apuração de custos, por exemplo. Mas o que presenciamos neste evento?
Presenciamos o quanto o profissional da contabilidade, para se dar bem em sua profissão, necessita conhecer e aprofundar-se no melhor uso da tecnologia disponível no mercado. Lá se foi o tempo de arquivos com dezenas de caixas de papéis, devidamente arquivados para serem apresentadas em eventual fiscalização por parte dos órgãos municipais, estaduais e federais; lá se foi o tempo de recebermos os “malotes” com os papéis para serem contabilizados; lá se foi o tempo de enviarmos os “lotes” de lançamentos contábeis para os “birôs” de processamento dos dados, para, depois, nos enviarem aquele monte de relatórios zebrados ou não, cujo desperdício era eminente!
O que se vê hoje, e que foi bem apresentado na referida convenção, é o quanto o profissional necessita se atualizar neste “mundo líquido”, como citou o historiador Leandro Karnal, em contraponto ao stand-up apresentado pelo “Contador Revoltado...”! O uso da Inteligência Artificial e outros recursos tecnológicos, é condição sine qua non para poder continuar na profissão.
Por estes e outros motivos, é fundamental que os profissionais da contabilidade tenham a oportunidade de participar de eventos desta natureza, a fim de atender um dos quesitos do nosso código de ética que é: “exercer com zelo a profissão contábil”, o que exige dos dirigentes dos órgãos profissionais a disponibilização de tais eventos.
Nourival Resende é contador geral do município de
Belo Horizonte e mestre em contabilidade