Opinião

Além dos números

Olhar para as pessoas por trás dos resultados financeiros

Por Luciana Zanini*
Publicado em 17 de abril de 2024 | 07:25
 
 
 
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No mundo empresarial, cada número tem uma história, resultados têm rostos. Números materializam resultados de diversas naturezas, sejam financeiros, operacionais, pessoais ou comportamentais. Lidar com números e entender seus impactos é possível apenas ao enxergar as pessoas que os constroem e fazem a mágica acontecer.

A compreensão do que constitui uma “empresa” vai além das fronteiras convencionais associadas ao lucro e resultados tangíveis. Originário do italiano, o termo “impresa” sugere uma atividade marcada por dedicação e esforço, não limitada apenas ao contexto comercial. Dessa forma, os ensinamentos do mundo empresarial são aplicáveis em um espectro mais amplo de atividades humanas. Essa ampliação do conceito nos leva a apreciar a universalidade das experiências e dos aprendizados empresariais.

O verdadeiro valor do capital humano vai além da mera contratação de talentos; ele envolve criar ambientes que promovam satisfação e motivação, essenciais para a eficiência coletiva. Dados recentes da Bain & Company indicam que apenas 22% dos profissionais consideram a compensação financeira o fator mais importante em um emprego. Isso sugere que, embora um salário justo seja fundamental, aspectos como o engajamento no trabalho (valorizado por 15% dos profissionais) e a associação com uma empresa que inspire (importante para 5% dos entrevistados) são também vitais. 

Outro estudo, da Randstad, revela que 39% dos trabalhadores prefeririam manter suas posições atuais a aceitar promoções que não lhes trazem satisfação. Esse dado sublinha uma transformação na percepção de sucesso profissional, valorizando o bem-estar e a realização pessoal, não raramente, acima de avanços hierárquicos. 

Ainda de acordo com a pesquisa, a relevância da inteligência emocional no ambiente de trabalho também está se tornando cada vez mais inegável, com uma projeção de aumento de 26% na demanda por tais habilidades até 2030. E o que isso indica? A necessidade primária de líderes com competências emocionais bem desenvolvidas. Peças fundamentais para uma gestão eficaz e humanizada.

Atividades que valorizam seus membros não apenas atingem a excelência em desempenho financeiro, mas também são berços de inovação e sustentabilidade. Nesse cenário, emerge a concepção de liderança não como uma posição de autoridade, mas como a capacidade de criar um ambiente no qual os indivíduos se sentem valorizados e motivados a contribuir com o melhor de si. 

Líderes excepcionais são aqueles que cultivam espaços de trabalho que permitam a motivação interna florescer, conduzindo a um desempenho aprimorado tanto no nível individual quanto no coletivo.

Todos os dias, somos convidados a considerar nossa própria contribuição na construção de ambientes de trabalho mais acolhedores e significativos. Cada um de nós tem a oportunidade de atuar como arquiteto de um espaço em que o respeito, a empatia e o reconhecimento não são apenas aspirações, mas a realidade cotidiana. 

Ao cultivarmos tais ambientes, reforçamos a essência da verdadeira atividade empresarial, na qual cada história pessoal é valorizada e cada rosto por trás dos números é visto e reconhecido.

Luciana Zanini*
Executiva, especialista em finanças, pessoas e negócios

(*) Diretora financeira e administrativa no Inhotim

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