VÔLEI FEMININO

Análise: Brasil faz jogo nervoso na estreia, mas dá para empolgar

Seleção brasileira enfrentou o Canadá para abrir a temporada internacional do vôlei, na Liga das Nações

Por Débora Elisa
Publicado em 15 de maio de 2024 | 12:05
 
 
 

Estreias são sempre recheadas de expectativas e saudades, mas são estreias. Brasil e Canadá fizeram um jogo que foi exatamente isso: uma partida cara de primeira partida. Jogo tenso, com início lento e jogadoras que demoraram a engatar marcaram o início da temporada internacional da seleção feminina de vôlei, mas há motivo para empolgação.

O adversário era qualificado. A seleção canadense veio bem treinada e com peças individuais que fizeram a diferença, além de, claro, as canadenses terem um olho na vaga olímpica. Já o Brasil jogou por outro objetivo: criar entrosamento e encontrar a formação mais otimizada para a sequência.

Para falarmos de destaques positivos, é impossível não citar Ana Cristina, que tem só 20 anos e está prestes a disputar sua segunda Olimpíada. Vindo de lesão, entrou voando e mostrou como ter uma ponteira de 1,92m de altura faz a diferença. Atacou por cima do bloqueio e chegou perto do recorde mundial (de Egonu) de força e velocidade em uma bela pipe que alcançou 112 km/h. Atuação que empolgou para este e os próximos ciclos olímpicos.

Entre as centrais, uma única notícia ruim: a dor de cabeça do Zé Roberto vai só piorar quando ele pensar na tal ‘terceira vaga de central’. O meio de rede brasileiro jogou bem mesmo sem a principal dupla de centrais do mundo (Carol e Thaisa). Julia Kudiess (21 anos) e Diana (25) deram conta do recado, e enquanto a primeira mostrou muito entrosamento com Macris nas chinas e foi bola de segurança nos contra-ataques, a segunda fez bonito no bloqueio e no saque, esse último, fundamento que já tem bastante destaque. Também dá para empolgar.

Algumas deixaram com ‘gostinho de quero mais’, como Gabi, principalmente porque sempre esperamos muito das que são extremamente talentosas. A mineira teve atuação discreta no ataque, mas não deixou a desejar no passe, como de costume. Macris e Nyeme também demoraram a engatar a quinta marcha. A levantadora foi imprecisa em alguns momentos e Nyeme começou lenta na defesa, mas depois colocou muitas bolas para cima e, no geral, fez boa partida. Nada preocupante, a projeção de crescimento das duas é muito alto.

No geral, bom jogo e atuação que dá para apertar o botão da empolgação e esperar muito mais para os próximos. A equipe está coesa, bem treinada, o banco entrou bem e mostramos muito potencial de crescimento. Ainda pela frente, nesta primeira semana, o Brasil vai ter dois adversários muito difíceis: Estados Unidos e Sérvia. Bom para já, no início da campanha, mostrar como vai se comportar em jogos em que não é favorito. Porque, aí, é outra história.

Notícias exclusivas e ilimitadas

O TEMPO reforça o compromisso com o jornalismo profissional e de qualidade.

Nossa redação produz diariamente informação responsável e que você pode confiar. Fique bem informado!