Enquanto a Globo ainda define a substituta de Rainha da Sucata no Vale a Pena Ver de Novo, um nome faz o coração dos noveleiros bater mais forte: Avenida Brasil. Exibida originalmente em 2012, a trama de João Emanuel Carneiro não foi apenas uma novela; foi um evento que mudou a forma como o país consumia teledramaturgia, sendo agora a aposta principal para elevar os índices das tardes da emissora.
No centro da narrativa estava a saga de Nina (Débora Falabella), que retornou ao Brasil sob uma nova identidade para destruir a mulher que a abandonou em um lixão na infância: a icônica vilã Carminha (Adriana Esteves). Diferente das mocinhas tradicionais, Nina era ambígua, movida pelo ódio, o que gerou um debate nacional sobre ética e justiça. Do outro lado, Carminha, com seu deboche e o inesquecível grito de “Toca pro Inferno!”, consolidou-se como uma das maiores antagonistas da história da TV.
A novela também inovou ao deslocar o eixo das tramas das mansões do Leblon para o fictício bairro do Divino. O subúrbio carioca foi retratado com cores vibrantes, churrascos na laje e a ascensão da “Classe C”. Personagens como Tufão (Murilo Benício), o ex-jogador de futebol de bom coração, e a extravagante família do jogador traziam o alívio cômico necessário para balancear o suspense da trama principal.
No dia do último capítulo, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) chegou a monitorar a carga de energia, prevendo o “efeito rampa” (aumento súbito de consumo) logo após o fim da exibição. A obra foi exportada para mais de 150 países e dublada em dezenas de idiomas, tornando-se a novela mais licenciada da história da Globo, além de ter feito a emissora bater sucessivos recordes de audiência na faixa das nove na época.
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