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Em todas as idades: reumatismo não é coisa só de gente idosa

Conjunto de mais de 200 doenças atinge todas as faixas etárias – inclusive crianças – e pode ser mais grave quando afeta mais jovens

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O engenheiro eletricista Antônio Narciso pratica atividade física regularmente desde que foi diagnosticado com espondilite anquilosante, aos 15 anos
PUBLICADO EM 03/02/19 - 02h00

A maior parte das memórias de infância do engenheiro eletricista Antônio Narciso, 31, é acompanhada de algo não muito agradável: a lembrança das dores nos joelhos e no quadril – e as visitas constantes ao médico por conta delas. O incômodo era enorme, a ponto de ele não conseguir acompanhar as aulas na escolinha de futebol em que seu pai o inscreveu ou de ter que mentir ao viajar de férias com os primos, dizendo que estava com preguiça de brincar, para não incomodar sua tia com reclamações num momento de diversão.

“Quando eu tinha uns 10 anos e meus pais estavam se separando, um médico chegou a achar que eu estava fazendo birra por causa disso e os orientou a procurar até psicólogo e psiquiatra”, conta o engenheiro. Só aos 15 anos e após uma crise aguda de dor, que precisou de intervenção cirúrgica, e a recomendação para consultar um reumatologista, Antônio descobriu o que tinha: espondilite anquilosante.

A espondilite é uma das mais de 200 doenças reumáticas, popularmente conhecidas como reumatismo, que afetam o aparelho locomotor – ossos, articulações (“juntas”), cartilagens, músculos, tendões e ligamentos. Algumas delas podem ainda comprometer outras partes e funções do corpo, como olhos, pulmões, rins, intestino, coração e mesmo a pele.

Ao contrário do que pode dar a entender o senso comum, o reumatismo não acomete somente pessoas idosas e pode acontecer em todas as faixas etárias, como explica a diretora científica da Sociedade Mineira de Reumatologia, Ana Flávia Madureira. “Geralmente, inclusive, elas são mais graves em pessoas novas”, acrescenta.

Não se sabe ao certo o que pode causar essas doenças, mas fatores genéticos, traumatismos, obesidade, sedentarismo, estresse, ansiedade, depressão e alterações climáticas podem estar entre os motivos. Todas elas, no entanto, têm tratamento e, descobertas no início e acompanhadas de maneira correta, não implicam em limitações para o indivíduo.

Porém, nem sempre o diagnóstico é fácil. Assim como no caso de Antônio, a médica veterinária Sara Paulino de Oliveira, 33, levou anos para ter o diagnóstico de lúpus. “Aos 17 anos, eu tive quadro de doença reumática, mas não foi possível concluir o que eu tinha. Aos 21, aconteceu novamente, mas outra vez a condição ficou entre lúpus e artrite, mas não deu para ter certeza”, lembra. Somente aos 32 – depois de descobrir um ano antes que tinha a doença também autoimune síndrome de Sjögren – ela foi oficialmente diagnosticada com lúpus.

“O que todas elas têm em comum são a dor persistente nas articulações, mas cada uma tem sua peculiaridade, por isso é muito importante procurar um reumatologista o quanto antes, porque, quanto mais cedo ela for identificada, melhor para o paciente, afinal são menores as chances de o quadro evoluir para alguma sequela. Quem é tratado de forma adequada tem muito mais qualidade de vida”, pondera Ana Flávia Madureira.

Artrite na juventude. A médica acredita que a associação das doenças reumáticas à terceira idade se deva ao fato de que duas das doenças mais comuns desse espectro – a artrite reumatoide e a artrose – sejam prevalentes em pessoas com mais de 60 ou 70 anos. “Mas não são quadros exclusivos dos idosos”, afirma.

É o caso da professora Adriana Nogueira Resende Mourão, 43, que recebeu o diagnóstico de artrite reumatoide com apenas 28 anos. “Uma das coisas que eu mais ouvia era ‘você é tão nova, reumatismo é doença de velho!’”, lembra, contando que, quando a doença se manifestou com mais intensidade, precisava de ajuda até para pentear os cabelos. “Joelhos, mãos, cotovelos, ombros, praticamente tudo doía. Até mesmo o maxilar, teve uma época em que eu não conseguia mastigar”, diz.

Algumas doenças reumáticas não associadas a idosos, suas características e seus alvos mais comuns

Lúpus. É uma doença autoimune, ou seja, é o organismo reagindo contra si mesmo, se reconhecendo como algo estranho. Geralmente reage contra o rim ou à pele, mas pode acometer também o pulmão, o coração e as articulações. Pode ser de leve a grave, levando a diálise, cicatrizes e anemia. Acomete mais as mulheres – em torno de 20 a 30 anos.

Espondilite anquilosante. Atinge a articulação sacroilíaca, no osso da pélvis, causando muita dor na coluna – sobretudo de manhã, ao acordar. Pode levar a deformidades nas articulações ou na coluna, a ponto de se perder a rotação cervical (ficando incapaz de mover o pescoço). Atinge principalmente homens jovens, em torno de 20 anos.

Febre reumática. É conhecida como reumatismo na infância. Está associada a infecções na garganta, quando a bactéria pode causar uma alteração autoimune. Tentando combater o invasor, o corpo começa a lesar as articulações ou a válvula cardíaca. A sequela mais grave é lesão no coração. Geralmente acomete crianças.

Fibromialgia. Causa bastante dor no corpo todo, mas não altera exames, não leva a nenhuma deformidade, nem acomete órgãos nobres como coração ou rins. O principal tratamento é a prática de atividades físicas e atinge, sobretudo, mulheres.

Gota. É uma doença inflamatória causada pelo excesso de ácido úrico no sangue, que causa muita dor nas articulações. O quadro melhora caso se evitem bebidas alcoólicas, carnes e até frutos do mar. Acomete homens de todas as idades.

Fonte: Ana Flávia Madureira, diretora científica da Sociedade Mineira de Reumatologia

Atividade física é uma aliada para o tratamento

Desde que foi diagnosticado com espondilite anquilosante, o engenheiro eletricista Antônio Narciso, 31, tem os exercícios físicos como parte da sua rotina. “Hoje, meu tratamento consiste basicamente em alguns medicamentos e atividade física”, comenta ele, que faz musculação e joga futebol uma vez por semana, mas já teve momentos em que esteve ainda mais ativo, em que fazia esportes radicais como a escalada.

A professora Adriana Nogueira Resende Mourão, 43, que tem artrite reumatoide, também não abre mão de se exercitar. “A minha médica sempre recomenda, e realmente eu percebo que dá muito resultado, porque, quanto mais parado se fica, mais as articulações ficam rígidas. No momento, faço musculação e exercícios aeróbicos, e isso me ajuda muito ter mais bem-estar”, comenta, observando que são exercícios adaptados à sua condição, de modo a não sobrecarregá-la.

A atividade física é muito importante para quem tem quadro de doença reumática, como esclarece a diretora científica da Sociedade Mineira de Reumatologia, Ana Flávia Madureira. “O exercício pode até diminuir as doses de medicamentos e evitar internações. No caso da fibromialgia, inclusive, a atividade física é a mais importante forma de tratamento”, afirma.

Adriana também controla a alimentação para evitar ganho de peso. “As articulações ficam mais frágeis, e o sobrepeso pode agravar a situação. Então, busco ter uma dieta mais saudável”, diz. Ela alerta que o diagnóstico de reumatismo é impactante, porque possivelmente é para o resto da vida, mas garante que é possível ter uma vida praticamente normal. “O importante é buscar um bom especialista e manter a cabeça no lugar, porque, quanto mais desmotivada a pessoa ficar, mais a doença se agrava. Nesse ponto, a atividade física ainda ajuda a melhorar a saúde mental”, conclui.

Sinais de reumatismo

Dificuldade para se movimentar ou rigidez nas articulações ao acordar.

Diminuição da flexibilidade na coluna ao calçar sapatos.

Limitação ao pentear os cabelos.

Dificuldade para escovar os dentes.

Dor, inchaço e calor nas articulações.
 

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