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27/11/21
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Cobiçado pelo Uruguai, Gallardo pode deixar River como o maior da história

O treinador, há sete anos no clube, está cotado para substituir Óscar Tabárez na seleção uruguaia a partir de 2022; clubes europeus também já sondaram o técnico

Marcelo Gallardo é multicampeão pelo River — Foto: Agustin Marcarian / Pool / AFP
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27/11/21 - 14h42

Se decidir sair do River Plate (ARG) no final deste ano, Marcelo Gallardo, 45, será o técnico sul-americano mais cobiçado do futebol mundial. Após conquistar o título que lhe faltava no clube, a Liga Profissional da Argentina, ele deixou aberta a possibilidade de mudar de ares após sete anos no comando da equipe.

"Estou terminando meu contrato e é a primeira vez que estou nessa situação. Dei tudo ao clube até hoje e aqui tem que estar com a energia no máximo. Creio que mereço a possibilidade de repensar porque é preciso estar com muitíssima energia", disse ele após a goleada por 4 a 0 sobre o Racing (ARG) na última quinta-feira (25), vitória que selou a conquista nacional.

Gallardo tem opções na mesa. É a prioridade da seleção uruguaia para as rodadas finais das Eliminatórias. A associação de futebol do país demitiu Óscar Tabárez após sequência de maus resultados. Na oferta sinalizada, Gallardo poderia até mesmo escolher se quer fazer um trabalho curto (até a Copa de 2022) ou de longo prazo (com fim do ciclo em 2026).

O técnico também já foi cotado no Barcelona e em outros clubes espanhóis. Todas as vezes que foi questionado sobre o assunto, desconversou. Fez o mesmo com a seleção uruguaia. A imprensa do país vizinho desenterrou declarações antigas dele nas quais disse que, no futuro, o trabalho ideal seria aquele de prazos curtos, como a Copa do Mundo.

É um torneio com o qual tem contas a acertar. Como meia, participou duas vezes com a Argentina. Em 1998, na França, caiu nas quartas de final diante da Holanda. Quatro anos mais tarde, no Mundial da Coreia e do Japão, a seleção comandada por Marcelo Bielsa não passou da fase de grupos.

Pagar dívidas com o passado foi o que fez no River Plate. Quando o contrataram para dirigir a equipe, em 2014, o clube não conquistava um título internacional havia 17 anos. Na sua primeira temporada, levou a Copa Sul-Americana. Em sete anos de trabalho, foram 13 troféus obtidos, entre eles o da liga argentina.

Com seu nome cogitado para assumir a seleção uruguaia, Gallardo ameaça deixar o River Plate pouco antes da inauguração de sua estátua em frente ao estádio Monumental de Nuñez, homenagem por ser considerado um dos maiores nomes da história da agremiação.

Foi seis vezes campeão nacional pelo clube, como jogador. Superou isso como técnico. Principalmente por ter enterrado o apelido de "galinhas", dado pelos rivais pela folclórica fama do time de perder em momentos decisivos nas competições continentais. Especialmente na Copa Libertadores.

Quando Gallardo chegou para ser o treinador, o River tinha dois títulos do torneio. O último deles, em 1996, com ele no meio de campo. O Boca Juniors (ARG), maior rival, venceu sete vezes.
O clube ganhou a Libertadores mais duas vezes, em 2015 e 2018, sob o comando do Muñeco (apelido recebido ao iniciar no futebol, por ter a cabeça parecida com a de um boneco). Nesta última, obteve a maior vitória de sua história. Derrotou, na decisão, em Madri, o Boca.

Seu rol de conquistas poderia ser até maior. Com Gallardo, o River se tornou uma das maiores forças sul-americanas. Esteve a dois minutos de ser campeão continental também em 2019, mas levou a virada do Flamengo, em Lima.

Na semifinal da Libertadores de 2020, quase obteve uma virada histórica sobre o Palmeiras. Perdeu em casa por 3 a 0 no jogo de ida e ganhou no Allianz Parque, na volta, por 2 a 0. Teve um gol e um pênalti anulados pelo VAR em São Paulo.

Assim que acabou a partida, Abel Ferreira correu em direção ao argentino e o abraçou. Gallardo pareceu desconfortável.

"Eu disse que ia ganhar a competição e dedicaria a ele. E ele me disse para ganhar. Se hoje sou treinador, devo também a Gallardo", afirmou o palmeirense campeão de 2020 e finalista novamente em 2021.

Os títulos são parte fundamental da fama do Muñeco, mas não se trata apenas disso. Metódico, obcecado e adepto de um jogo ofensivo, com toque de bola e que agrade ao torcedor, ele remontou o elenco do River repetidas vezes nesses sete anos. Buscou jogadores nas categorias de base e descobriu outros que não tinham tanto destaque em outros lugares.

A última revelação é o atacante Julián Álvarez, já chamado para a seleção e o melhor jogador em atividade na liga local.

"As pessoas pensam que pode estar tudo bem, que podem relaxar e viver com tranquilidade. Eu não sinto dessa maneira. Vivo as coisas com muitíssima intensidade e não relaxo", explica Gallardo.

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