Thiago Nogueira
@otempo
15/01/21
06h30

No fundo do poço

Cruzeiro e a crônica de uma permanência anunciada na Série B; entenda os motivos

Em crise financeira, desgaste político e com um futebol pouco convincente, o Cruzeiro vai amargar dois anos seguidos na segunda divisão, uma cicatriz em sua história

Nada deu certo para o Cruzeiro em seu primeiro ano disputando a segunda divisão nacional — Foto: Cristiane Mattos
Thiago Nogueira | @otempo
15/01/21 - 06h30

Não há títulos ou reputações capazes de reerguer um clube de futebol dilacerado por mazelas e falcatruas. O centenário Cruzeiro foi literalmente assaltado e despencou de um pedestal para um nebuloso cenário de incertezas. A derrota para o Oeste, mais uma em casa, na quarta-feira (13), praticamente selou a permanência do clube na Série. Resta apenas a confirmação matemática.

É possível listar inúmeros motivos que farão a Raposa amargar a segunda divisão por dois anos seguidos, algo inédito entre os grandes clubes do país (veja abaixo alguns motivos para a crise celeste). A Série B é uma torneio cada vez mais competitivo, com times capazes de fazer muito com muito pouco.

O gigantismo do Cruzeiro não foi páreo para adversários que sabem seu tamanho e, por isso mesmo, não almejam nada além do que podem. Foram mais de cinco times completos de jogadores vestindo a camisa celeste na temporada e quatro treinadores de diferentes tratos e filosofias. A nova diretoria, encabeçada pelo presidente Sérgio Santos Rodrigues, se esforça mas ainda erra, afinal, não há uma solução a curto prazo.

Em meio à zoeira dos rivais, o cruzeirense ainda teve que assistir tudo de casa, sem poder ir aos estádios por conta da pandemia que assola o mundo. A fúria e a cobrança vieram pelas redes sociais, mas não é a mesma coisa. Protestos na Toca e na sede deram o tom da exigência, mas não resolvem.

Com um bastidor político ainda fervilhante, embates e discussões por poder e interesses pessoais acima do coletivo, o Cruzeiro estagnou num patamar nunca antes visto na história do futebol brasileiro. As receitas despencaram, uma parte da dívida foi arrolada para os próximos ano, outras, negociadas e reduzidas, mas, mesmo sendo a maior folha de pagamento da divisão de acesso, o resultado esportivo não veio. Só um trabalho fora da curva fará com que a história não se repita na próxima temporada.

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