O jogador Erling Haaland, craque da Noruega, embora nascido no Reino Unido, resume bem o biotipo do norueguês: alto, branco, esguio, traços faciais alongados, cabelos loiros e olhos claros. Estima-se que cerca de 75% da população norueguesa tenha essas características, diferente dos vikings. Estive na Noruega em 2016 e fiquei impressionado com o que presenciei.
A Noruega está entre os três países com o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do mundo, com 0,966. A população tem acesso à saúde de qualidade; a educação é gratuita cou com baixo custo; um sistema de proteção social reduz as desigualdades sociais. Também tem uma população com elevada renda, o que o torna um país caro para o turista, principalmente o brasileiro.
O viajante tem dois momentos para visitar o berço dos vikings (a remada viking da torcida norueguesa é a sensação da Copa do Mundo): no verão, para admirar os fiordes, imensas entradas de mar entre altas montanhas formadas há milhares de anos por geleiras, e no inverno, para contemplar de perto a aurora boreal, fenômeno que ocorre normalmente no Polo Norte, colorindo as noites.
Antes de viajar, o turista deve entender que essa é uma viagem que desafia os sentidos. São cenários grandiosos orquestrados pela natureza, cheios de sons pouco comuns e uma surpresa a cada passo. A Noruega depende dos caprichos da natureza: além dos fiordes e da aurora, há trilhas e mirantes espetaculares, vida selvagem em ambientes preservados e cidades limpas, organizadas e arborizadas.
A corrupção não existe; um juiz ganha menos do que um motorista de ônibus; as taxas de criminalidade estão entre as mais baixas do mundo; a aprovação das instituições é acima de 55%; a educação é gratuita; os gastos per capita com saúde, iguais para todos, são um dos mais altos da Europa; e o país financia a transição para o turismo verde com as receitas do petróleo e do gás.
E a Noruega não tem nenhum defeito ou problema? Não, todo o país tem. A “Lei de Jante” desencoraja as pessoas a se destacarem e demonstrarem superioridade, sufocando as ambições e criando uma pressão sobre as pessoas. Não espere aquele abraço caloroso, aquela hospitalidade típica dos mineiros. O inverno é rigoroso, em média -7ºC; já no verão, o sol não se põe por semanas.
Para entrar na Noruega, o brasileiro não precisa de visto, passaporte com validade e certificado de vacinação contra a febre amarela, passagem de volta, comprovante de hospedagem e seguro-viagem. Não há voos diretos do Brasil para Oslo; é necessário pegar conexão em cidades como Lisboa (TAP), Paris (Air France), Amsterdã (KLM), Londres (British Airways) ou Frankfurt (Lufthansa).
A coroa norueguesa é a moeda oficial e vale R$ 0,526. O país é um dos mais caros do mundo. A capital Oslo tem centro histórico compacto: boa parte dos atrativos pode ser alcançada em uma caminhada pela Avenida Karl Johans Gate. A recomendação é adquirir um Oslo Pass no site do Visit Oslo, que dá acesso a dez atrações. Outra dica é contratar um city tour com o guia Matias Balbo. (https://www.visitoslo.com/en/activities-and-attractions/oslo-pass/prices/)
Entre as atrações estão a Galeria Nacional (com a icônica pintura “O Grito”, de Edvard Munch), o prédio da prefeitura; o Nobel Peace Center (onde acontece a escolha do Nobel da Paz); a Ópera e Ballet Nacional; o Museu Munch e a Radhusgata, a parte antiga com a Fortaleza de Akershus, que serviu de inspiração para o filme “Frozen”, e as ruas no entorno Grensen, Jembanetorget e Egertorget.
O ponto de visita obrigatório é Bygdøy, a península dos museus voltados à navegação — Norsk Folkemuseum, com 50 casas viking ao ar livre; Kon-tiki, dedicado às expedições de Thore Heyerdahl; e Navio Polar Fram. O Museu do Navio Viking preserva duas embarcações originais que foram enterradas há mais de 1.100 anos, Já o Vigeland Park tem 212 esculturas em granito e bronze.
Os cruzeiros na Noruega têm nome e tradição: Hurtigruten. São 34 portos onde os visitantes podem embarcar e desembarcar à vontade, moldando sua viagem. Minha experiência foi o percurso de Finnsnes a Tromsø, com duração de uma hora e 15 minutos. Se quer algo exclusivo, explore o Ártico a bordo do Vulkana, traineira de pesca de 1950, revitalizada e convertida em um spa flutuante.
A 75 minutos de carro de Tromsø, Camp Tamok oferece esportes de neve, como o trenó puxado por renas e Snowmobile Safari, da agência Lyngsdjord Adventure por uma trilha pré-determinada. No inverno, o passeio mais procurado é a caçada à Aurora Boreal. Durante a visita, é servida sopa quente junto à lareira para colocar o visitante no clima de Tamok, com o antigo povo sami contando histórias.
Em Tromsø, conheça ainda o Polaria, aquário interativo com animais do Ártico; a Ishavskatedralen, a catedral de gelo; o Museu de Arte da Noruega; o Perspektivet Museum (com coleção da pintora Cora Sandel) e o Polarmuseet, dedicado às expedições ao Ártico. Se estiver funcionando, o teleférico Fjellheisen leva ao topo do Monte Storsteinen, a 421 m de altitude, com bela vista 360º da região.
Os brasileiros aprenderam a comer bacalhau com os portugueses, mas importam o produto da Noruega — anualmente são cerca de 15 mil toneladas. As indústrias pesqueiras estão espalhadas por toda a costa. Minha passagem foi Husøya, ilha do fiorde de Oyfjorden, onde a família Karlzen produz o Gadus morhu (bacalhau-do-Atlântico). Quem quiser aventura, pode-se arriscar uma pescaria no Ártico.
Nas estreitas e sinuosas estradas que levam a Husøya, surgem atrações como as plataformas Bergsbotn, 44 metros de madeira que se projeta sobre o fiorde Bergsfjord, e Tungeneset, mirante com passarela de madeira sobre rochas à beira-mar, oferecendo vistas panorâmicas do oceano e dos afiados picos da Cordilheira de Okshornan, mais conhecida como Devil’s Teeth (ou Dentes do Diabo).
A culinária da Noruega vem do mar. Os peixes ocupam lugares de destaque, como o bacalhau seco e o salmão. Carnes como cordeiro e rena também podem ser apreciadas. O Brunost ("queijo marrom") é produzido a partir do soro do leite caramelizado e possui sabor adocicado. Hoje, o nome festejado da culinária é o do chef Christian André Pettersen, com a curiosa fusão da gastronomia oriental e ocidental.
Mais informações sobre o destino, acesse Visit Norway.
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