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Josias Pereira

Levir e a desvalorização dos técnicos de futebol

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PUBLICADO EM 30/10/17 - 03h00

A coluna se chama “Pelo Mundo”, mas hoje vou me ater a uma discussão doméstica e que voltou à tona com a situação patética protagonizada nas duas últimas semanas por Levir Culpi, um dos mais vitoriosos e experientes técnicos do futebol brasileiro. A profissão de treinador sempre foi uma das mais frágeis do mundo da bola, mas antes se tinha mais respeito com a figura do chamado “professor”. Não se sabe em qual ponto dessa relação, rompeu-se o elo da dignidade. Mas, de repente, os comandantes de todo o país passaram a ser os principais catalizadores de toda a mediocridade apresentada por seus atletas em campo.

Dizem que um time é o reflexo de seu técnico. Mas não seria o treinador apenas o idealizador da missão? E a responsabilidade dos atletas? A dança das cadeiras no futebol brasileiro talvez seja a razão para o baixo nível técnico dos torneios nacionais. E isso é notório. Os times não possuem identidade. E a bola pune a ansiedade. Cuca, quando chegou ao Atlético, saiu de seis derrotas seguidas e um humilhante 6 a 1 para uma conquista inédita da Libertadores.

Dito isso, volto ao tema Levir. Aos 64 anos, ele é um dos comandantes da “velha guarda”, possui em seu currículo mais de 20 times e também mais de uma dezena de títulos estaduais, nacionais e internacionais. Agora eu, um simples jornalista, fiquei a me fazer a seguinte pergunta: por que um treinador desse calibre se sujeitou a tamanha humilhação no Santos?

Levir não precisava carregar essa mácula. Era questão de pegar as malas no primeiro anúncio de demissão e seguir sua vida, esperando tranquilamente a oferta especulada do futebol japonês, onde ele é rei.

Ao invés disso, permaneceu para ser demitido de forma sumária. As informações desse “foi e não foi” absurdo dão conta de que os atletas pediram a sequência de Levir, e isso muito me assombra. Não somos ingênuos ao negligenciar que muito do trabalho de um técnico está em gerir pessoas, lidar com os egos e até ser psicólogo. Porém, a força que os atletas estão tendo nesse jogo de empurra entre a responsabilidade deles ou de um técnico em fazer com que um time vá bem é absurda.

Sabe aquela história de geração “nutella”?. Pois então. Está se criando uma geração de jogadores “nutellas”, trabalhados no “mimimi” e que, muitas vezes, não assumem seus erros. Afinal de contas, a culpa recairá sempre no treinador.

E esses atletas estão blindados porque as torcidas acostumaram-se a martirizar os técnicos. Só que aí vem um novo professor, e o time segue nos seus altos e baixos. De quem é a falha no fim das contas?

Pausa para descanso.

Depois dessa análise, comunico aos leitores desse espaço de debate que a coluna “Pelo Mundo” retorna na segunda de dezembro. Entro no meu período de férias, não sem antes agradecer a todos que têm me acompanhado nessa jornada e as várias mensagens que tenho recebido por e-mail, nas redes sociais e até por carta, como a do senhor Luiz Alves, do Gameleira. Voltarei ainda mais forte e revigorado para retomarmos nossa explanação sobre o esporte mundial e nacional. 

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