O retorno dos grandes eventos sertanejos no país após a pandemia, em 2022, foi marcado por sucesso de público e de negócios, que organizadores de rodeios viam como um boom temporário devido à demanda reprimida pelos dois anos anteriores sem eventos.

Passados três anos, porém, o boom se manteve, e os rodeios no país devem movimentar mais de R$ 10 bilhões neste ano, superando o desempenho do ano passado.

Só em Barretos (a 423 km de São Paulo), que realiza até o dia 31 a 70ª edição da Festa do Peão, mãe de todos os eventos do gênero no país, a movimentação econômica deve chegar a R$ 1,2 bilhão, segundo Os Independentes, associação que organiza o evento desde 1956.

O desempenho econômico é impulsionado por marcas como Brahma, patrocinadora do Circuito Sertanejo, que além de Barretos, engloba outras cinco festas tradicionais no país - Expo Londrina, Ribeirão Rodeo Music, Pedro Leopoldo Rodeio Show, Jaguariúna Rodeo Festival e Caldas Country Festival. Juntas, reuniram 8 milhões de pessoas após o retorno dos eventos.
Volkswagen, TIM e Ipiranga são outras empresas que figuram como apoiadores de Barretos.

"Há eventos de todos os tamanhos e, se você pegar o país todo, os 2.000 eventos existentes representam presença em quase 40% dos municípios. São Paulo predomina, mas Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Paraná também têm muitos", afirmou Jerônimo Luiz Muzetti, presidente de Os Independentes e da Cnar (Confederação Nacional de Rodeio).

A associação investiu R$ 50 milhões para a realização do evento deste ano, com projeção de obter faturamento entre R$ 100 milhões e R$ 120 milhões, com 900 mil visitantes.

A movimentação econômica ainda atinge restaurantes, postos de combustíveis e a rede hoteleira num raio de mais de 100 quilômetros. A procura proporcionou à vizinha Olímpia, famosa por suaságuas termais, um novo mês de alta temporada em agosto.
O maior dos investimentos de Barretos para este ano, porém, está inflacionado, segundo Muzetti. Os shows - mais de 130-  respondem por 40% do valor investido pela associação e têm subido de valor de forma acelerada, influenciados por contratações feitas por prefeituras, conforme o dirigente.

"A maioria dos eventos estão sendo bancados por prefeituras, a gente viu que mudou um pouco de formato. Infelizmente, os cachês de artistas, depois da pandemia, aumentaram muito. Muitas festas próprias hoje estão dando prejuízo porque os custos ficaram muito altos", afirmou.

De acordo com ele, essa mudança de comportamento de prefeituras tem atrapalhado o mercado como um todo e o resultado foi amplificado desde o ano passado.
"Um artista de R$ 180 mil, hoje é R$ 450 mil. Um artista de R$ 100 mil [agora] é R$ 300 mil. Um artista de R$ 500 mil, hoje... tem artista que dobrou o valor de um ano para o outro", disse.

Isso fez com que shows isolados deixassem de acontecer com a mesma frequência, sendo mais restritos a festivais, já que além do custo do cachê há os gastos com a produção do espetáculo –palco, cenografia, iluminação e som, entre outros.

"Mas eu acredito que vai chegar a hora em que isso [contratações feitas por prefeituras] vai acabar. Porque não é correto", disse.

CERVEJA PERSONALIZADA E COMIDA TÍPICA

Além dos investimentos próprios da organização do evento, o festival sertanejo em Barretos reúne ações de uma série de marcas na feira comercial do Parque do Peão, no estádio de rodeios e nos ranchos existentes na área que abriga a festa.

Para os 70 anos da festa de Barretos, a Brahma, principal parceira do evento, lançou sete latas de cerveja comemorativas, cada uma representando uma década da festa, com distribuição no interior de São Paulo.

Há unidades sobre o recinto Paulo de Lima Corrêa (onde a festa surgiu), quando a festa virou cenário de novela e a inauguração do Monumento ao Peão, de 27 m de altura. Uma delas só estará à venda em Barretos.

Diretor de marketing da Brahma, Felipe Cerchiari disse que a Festa do Peão é um "capítulo especial" da história da cerveja e que as latas especiais têm como objetivo eternizar a conexão da marca com o sertanejo.

"Estamos juntos há 41 anos e essa parceria se funde com a própria trajetória da festa. Na 70ª edição, vamos reforçar o nosso papel como a cerveja anfitriã do sertanejo e dos momentos de celebração, seja nas arquibancadas ou na resenha depois do show", disse.

O valor do investimento da marca com Barretos não foi revelado. A Brahma tem camarote ao lado do palco, rancho gastronômico, shows e ativações na feira comercial do parque. "Também lançamos junto com a TXC uma coleção de moda sertaneja inspirada nas sete décadas de Barretos, que conversa diretamente com as nossas latas comemorativas."

A edição de número 70 marca a estreia do Grupo Fictor, que afirmou ter investido R$ 1,8 milhão em ações no Parque do Peão.
A marca aposta em oferecer degustações no parque e em participar da Queima do Alho, concurso culinário realizado num rancho às margens do estádio de rodeios em que as comitivas participantes precisam reproduzir o prato que era consumido no passado pelos peões nos estradões, quando tocavam boiadas rumo aos frigoríficos. Ele é composto por arroz carreteiro, feijão gordo, paçoca de carne e churrasco e é feito em fogões improvisados, próximos ao chão.

A Fictor tem estande com degustações e brincadeiras, além de sorteios com presentes, troféus e dinheiro. Por meio de sua assessoria, Andrea Niccoli, diretora de marketing e comunicação da companhia, disse que participar do evento amplia a visibilidade junto aos consumidores e serve como um cartão de visitas no mercado de alimentos.

Já a Volkswagen fez uma edição especial da picape Amarok, com 200 unidades numeradas, em alusão aos 70 anos da Festa do Peão. A marca já patrocinou 31 edições do evento.