DESRESPEITO 

Influenciadora cristã que relacionou catástrofe no RS a religiões africanas é denunciada em MG

Mulher, que nas redes sociais tem mais de 30 mil seguidores e se apresenta como cristã, pode responder pelo crime de intolerância religiosa 

Por Gabriel Rezende
Publicado em 17 de maio de 2024 | 20:45
 
 
 

Uma influenciadora cristã de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, foi denunciada na Justiça por intolerância religiosa. Em 5 de maio, ela publicou um vídeo nas redes sociais relacionando a catástrofe climática que assola o Rio Grande do Sul a religiões de matriz africana. O crime é equiparado ao racismo e tem pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa.

Em sua conta no Instagram, a mulher de 43 anos tem mais de 30 mil seguidores e se apresenta como "cristã e empreendedora". Na publicação, entre outras “afirmações discriminatórias”, segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), ela disse que o estado gaúcho “é um dos estados com maior número de terreiros de macumba”.

Em seguida, relacionou a tragédia à crença religiosa: “Alguns profetas já estavam anunciando sobre algo que ia acontecer no Rio Grande do Sul, devido à ira de Deus mesmo”. O alcance do seu perfil fez com que o vídeo fosse compartilhado diversas vezes e chegasse a ter 3 milhões de visualizações.

Na denúncia, a promotora de Justiça Ana Bárbara Canedo Oliveira afirma que, ao fazer essas declarações em seu perfil público com milhares de seguidores, a mulher cometeu um crime e também incentivou outras pessoas a discriminar, ter preconceito e intolerância contra religiões de origem africana.

A promotora de Justiça também pede, como medidas cautelares, que a mulher seja proibida de sair do país sem autorização judicial e de fazer novas postagens sobre religiões de origem africana ou sobre a tragédia no Rio Grande do Sul com informações falsas.

Pedido de desculpas 

Em meio à repercussão do caso, a mulher gravou um vídeo de retração, pedindo desculpas e dizendo que "se expressou mal". "Eu não quis ofender as pessoas em relação à religião. Ela é uma opção individual, de cada um. Eu queria pedir perdão se magoei as pessoas", afirmou. 

Nesta sexta-feira (17), o perfil dela no Instagram estava privado, quando usuários precisam pedir autorização para ver as publicações. A reportagem tenta contato com a mulher. O espaço permanece aberto para um posicionamento.

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