A morte do advogado Pedro Cassimiro Queiroz Mendonça, de 40 anos, é lamentada por entidades que representam a categoria. Mendonça foi executado em frente ao Fórum de Ibirité, na região metropolitana de Belo Horizonte, nesta segunda-feira (27 de maio). A Polícia Civil recolheu aproximadamente 30 estojos de calibre 9 milímetros. Autoria e motivação ainda são desconhecidas.

O advogado, conforme consta no boletim de ocorrência da Polícia Militar (PM), se preparava para ir almoçar quando foi baleado diversas vezes. Uma testemunha informou que ele não vinha sofrendo ameaças nem mesmo enfrentava algum problema relacionado a sentenças de clientes ou cobrança de honorários. 

Diante da morte de Mendonça, a Ordem dos Advogados do Brasil de Minas Gerais (OAB-MG), por meio do presidente Sérgio Leonardo, cobrou investigação.

“Mais um advogado brutalmente assassinado em Minas Gerais. Mais um ataque à advocacia. Semana passada foi o doutor Hudson Maldonado que foi brutalmente assassinado, em Sete Lagoas, e as investigações preliminares indicam que tudo decorreu de sua atuação profissional como advogado há mais de 18 anos.  Hoje nós estamos perplexos. Mais um colega foi brutalmente assassinado. Literalmente executado à luz do dia. Isso nos causa indignação e revolta”. 

Sérgio Leonardo destacou que a advocacia não pode ser “calada”. “Nem com fogo, nem com arma de fogo. Somos a voz que representa a cidadania neste país. Nós não podemos ser calados. É preciso pensar alternativas de maior proteção à advocacia”, afirmou.

Visando garantir a proteção dos advogados, uma proposta será realizada pela Associação Nacional da Advocacia Criminal (Anacrim).

“Propomos ao Estado de Minas Gerais a criação da delegacia especializada de prevenção e combate ao crime praticado contra advogados no exercício da profissão. A segurança do advogado em primeiro lugar para que o mesmo possa defender os direitos da sociedade com tranquilidade, respeito e eficácia”, disse Gilberto Silva, diretor da Anacrim-MG.

‘Advogado competente’ 

A morte de Mendonça é, na análise de Bruno Cândido, presidente da Anacrim, “retrato da impunidade” que há no país. “O Pedro Mendonça era um advogado muito querido, prestigiado, sem mácula alguma. A atuação dele perante a comunidade era muito respeitada. É inadmissível um crime bárbaro desta forma como foi e no local [na porta do Fórum de Ibirité]. É um atentado contra a Justiça”. 

A Anacrim, segundo Cândido, vai acompanhar os trabalhos investigativos. “Exigimos solução rápida e punição efetiva para este fato gravíssimo. Temos que tomar providências para que a classe não fique vulnerável”, complementou.