Linguagem de resistência e aprendizado coletivo, o movimento hip-hop se espalha pelas praças, ocupa ruas e ganha cada vez mais força em Contagem. O que começou em 1990 com os primeiros grupos e MCs da cidade hoje se multiplica em encontros semanais, batalhas de rima, oficinas, grafites e rodas de conversa que aproximam a juventude periférica da arte e da política, transformando a cultura em ferramenta de pertencimento e voz.

Entre os símbolos dessa cena está a Segunda Rap, criada em 2015 no Eldorado e reconhecida como patrimônio cultural imaterial de Contagem. Idealizada por Welberth Oze, como o próprio nome sugere, o encontro acontece toda segunda-feira e ganhou formato próprio: a “Batalha do Conhecimento”, na qual cada rima parte de um tema sorteado, provocando reflexões sobre racismo, política e questões sociais. “É como uma escola da rua. A gente aprende e ensina junto”, define o idealizador, que recorda que a caminhada foi marcada por resistência. Repressão policial e desconfiança deram lugar ao respeito e ao reconhecimento, inclusive, do poder público.

Ao lado de outras batalhas, como a do Eldorado e as que surgiram mais recente, em outras regionais, a Batalha da Jabu, iniciada em 2016 na praça da Jabuticaba, surgiu como alternativa ao duelo do viaduto Santa Tereza, em BH. “Não tínhamos dinheiro nem pra passagem, então criamos a nossa”, conta Higo Ferreira, o Higão do Rap.

O coletivo reúne cerca de 350 pessoas por semana e propõe intervenções e debates sobre feminismo, racismo e políticas públicas. 

Embora tenha ganhado ramificações, em vez de competição, os grupos da cidade atuam em rede, compartilhando estrutura e divulgação. “Quando disputa, já entra perdendo. A ideia é somar forças”, reforça Welberth.