Quantas crianças vivem no mundo da lua, sonhando em pegar carona na cauda de um cometa para desvendar a Via Láctea? Em Contagem, a música do grupo Balão Mágico, que atravessou gerações, ecoa como uma tradução do que vivem hoje alguns estudantes da rede municipal. Entre cálculos feitos em sala e garrafas PET transformadas em foguetes, que chegam a voar mais de cem metros, os gênios sonhadores, com almas de artistas, experimentam, ainda na infância, o que significa ter a ciência como caminho realmente possível, que pode transformar o futuro.
Neste ano, alunos de duas escolas — a Glória Marques Diniz, no Nacional, e a Maria Martins “Mariinha”, no Petrolândia — foram selecionados para participar da 80ª Jornada de Foguetes, que acontecerá em novembro, em Barra do Piraí, no Rio de Janeiro, depois de se destacarem na Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBAFOG). Agora, os estudantes contagenses se preparam para disputar uma das maiores competições estudantis de astronomia do país.
Durante a etapa escolar, cada grupo precisou construir foguetes de baixo custo e uma base de lançamento. Venceu quem alcançou os voos mais altos e longos. No Mariinha, veterano na disputa, a tradição pesa a favor. A escola foi campeã em 2019 e vice em 2024.
Agora, duas equipes do 8º ano representarão a cidade. “Esse ano será a nossa 3ª participação na Jornada de Foguetes. Fomos a primeira vez em 2019 e conseguimos a medalha de ouro na Jornada de Foguetes. Foi uma participação muito satisfatória, divertida e de aprendizagem. Esse é um fruto que a gente começou a plantar lá em 2016, quando começamos a participar, e que começamos a colher em 2019, em 2024 e agora, em 2025, ficamos felizes em participar novamente”, afirmou a diretora Fernanda Carmelita Fonte Boa.
O grupo “100% Ciência” é formado por Filipe Fonseca Tavares, Gustavo Henrique Agostinho Pereira e Victor Raphael Rodrigues Silva, que alcançaram a marca de 168 metros. Já a equipe “The Flying Shark”, de Miguel Henrique Azevedo Nicacio Reis e Rafael José Santos Borher, chegou a 153 metros.
“Este ano, nós melhoramos o foguete ao máximo, através do simulador ‘Open Rocket’. Chegamos a uma marca de 690 metros, ainda não testada em campo. Estamos confiantes de que vai dar certo”, revela Miguel.
“A gente se reuniu várias vezes para ajustar o foguete. Foi preciso insistir, corrigir erros, até acertar. O que mais gostei foi ver que conseguimos, juntos, chegar tão longe”, diz Gustavo.
Embora a seleção seja motivo de comemoração, o professor de Ciências Leonardo Barbosa, que acompanha a turma desde 2016, destaca que o maior prêmio é o aprendizado. “O grande ganho é a vivência, as trocas culturais entre estudantes de várias regiões do Brasil durante os quatro dias de evento. Eles levam Contagem para o mapa da ciência, mas voltam ainda mais transformados”, disse.
Conquista inédita: estudantes da Escola Glória Marques Diniz celebram classificação
Na Escola Municipal Glória Marques Diniz, na região do Nacional, a história é de estreia. Pela primeira vez, a instituição chega à etapa nacional. Cerca de 50 alunos participaram das atividades, até que dois nomes despontaram: Samuel Parra, do 7º ano, e Ian Fernandes, do 9º ano. Juntos, eles foram capazes de projetar um foguete que ultrapassou a marca dos cem metros e abriu caminho para a classificação. “Foi muito difícil. Fizemos várias tentativas, mas acabou dando certo. Não imaginava que isso iria acontecer”, contou Samuel, orgulhoso do resultado. “Foram três dias de ajustes, mexendo na base e nos canos até ficar como queríamos. O foguete ficou bom, e ver ele voar daquele jeito foi incrível”, diz Ian.
A professora da unidade, Sidneia Pereira, responsável pelo auxílio aos estudantes durante a produção dos foguetes, explicou que houve uma grande adesão dos participantes da escola para a competição deste ano. “O meu desejo, desde o início, era que nós participássemos da etapa nacional. E, mesmo com toda dificuldade, conseguimos”, celebrou.
Para o professor, Pedro Henrique Vieira Braga Pereira da Silva, que atua na rede municipal desde 2022, participar de eventos como a OBAFOG estimula a o interesse dos jovens por carreiras científicas e tecnológicas. “A experiência de participar da etapa nacional será transformadora para os alunos. Eles terão contato com novas realidades, tecnologias e métodos de estudo, além de conhecer e interagir com estudantes de todo o país, enriquecendo sua formação acadêmica e pessoal”, finaliza.