Demanda histórica dos professores da rede pública estadual de Minas Gerais, o pagamento do piso nacional de R$ 3.845,61 não faz parte dos planos do governo de Minas. Segundo o governador do Estado, Romeu Zema, ele é impedido de aumentar o salário da categoria por "decisão judicial" já que o valor seria previsto para trabalhadores que atuassem por 40 horas, o que, segundo ele, não é a realidade de todos os professores no Estado. 

"Quem recebe 40 horas por semana recebe o piso integralmente, mas quem trabalha 24 recebe proporcionalmente", disse em entrevista exclusiva à Rádio Super Notícia 91.7 FM na manhã desta terça-feira (28). Segundo ele, é preciso seguir essa regra porque, caso contrário, ele estaria fazendo uma "gestão irresponsável", diz, reforçando que, se dependesse da vontade dele, a categoria teria uma maior valorização. 

Em abril deste ano, o governador aprovou reajuste de 10,06% do salário de todos os servidores do Estado, mas vetou emendas parlamentares que garantiriam adicionais ao valor acordado. "Eu gostaria de ter dado 40% de aumento. Adianta eu prometer e não pagar?", diz Zema. 

Segundo o governador, durante o mandato dele houve uma série de melhorias na educação do Estado. Ele citou como exemplos maior investimento na merenda escolar, e reforma de 1.300 escolas que estariam, nas palavras dele, "desmoronando", com casos de unidades "escoradas em toras de eucalipto".

Não é bem assim

Entre os professores e demais trabalhadores da rede estadual de educação, a fala do governador não foi muito bem recebida. Segundo a coordenadora-geral do Sind-UTE/MG (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais), Denise Romano, o governo tem condições de pagar o piso salarial, mas opta por fazer diferente.

"O Estado de Minas tem condições de pagar o piso salarial nacional, a educação tem recursos vinculados, 25% da corrente receita líquida e o Fundeb, e o Governo de Minas escolhe utilizar os recursos da educação, no caso, os 70% do Fundeb que deve ser exclusivamente aplicados em remuneração, para destinar em outros programas", diz Denise, citando o programa 'Mãos Dadas' e 'Somar'.

Ainda segundo Denise, foi decisão do governo judicializar a questão, e não dos trabalhadores.

"Quem colocou questões judiciais para justificar a negativa do pagamento do piso salarial foi o governador do Estado de Minas Gerais, então as amarras judiciais que ele diz que tem foram, inclusive, propostas pelo governo de Minas e elas ainda não tem nenhuma decisão no que o governo pediu, que é a inconstitucionalidade de duas leis estaduais e ainda o questionamento do STF que não tem decisão", alegou Denise, que finalizou criticando a política do governo.

"Por esse motivo nós não temos o piso salarial profissional em Minas Gerais, é porque o governo não quer e para isso se utiliza de subterfúgios ou de narrativas equivocadas para negar o que é direito da nossa categoria", enfatizou.