Embora a maioria das pessoas internadas por causa da Covid tenha algum tipo de doença crônica, houve um aumento no número de hospitalizações de pessoas sem comorbidades durante a segunda onda em Belo Horizonte.
De acordo com o relatório InfoCovid-OSUBH, publicado esta semana pela Faculdade de Medicina da UFMG em parceria com a prefeitura, houve um aumento de 72,3% de pessoas sem comorbidades entre fevereiro e abril de 2021, em comparação com o período entre dezembro e fevereiro. Entre os pacientes com doenças crônicas, como diabetes, cardiopatia e obesidade, o aumento foi de 57,6%. Vale lembrar que o Brasil viveu seu maior pico da epidemia entre os meses de março e abril de 2021.
O relatório mostra ainda que 87,2% das pessoas que morreram de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) entre fevereiro e abril tinham algum tipo de comorbidade, mas houve um aumento de 70,4% no número de óbitos de pacientes que não tinham histórico de doença crônica.
A análise dos dados também indica que houve aumento superior a 50% nas internações referentes a todas as faixas etárias que estão abaixo de 60 anos. Nos idosos de 80 anos e mais, ao contrário, houve redução proporcional de 11,8% e naqueles de 60 a 79 anos a queda foi de 1,8%.
Durante a segunda onda, também houve grande aumento percentual de mortes nas faixas etárias mais jovens – especialmente entre 20 e 39 anos, em que essa elevação foi de 104%. Nos idosos de 80 anos e mais, em contrapartida, houve diminuição dos percentuais de óbitos em 13,9%. O relatório não sustenta a certeza de que a vacinação seria o motivo para essa redução, mas levanta isso como uma forte hipótese – o isolamento social dos idosos é outro fator a ser considerado.
Para os especialistas que assinam o relatório, os mais jovens estão sendo vítimas mais comuns da Covid devido à redução do isolamento social nas faixas etárias abaixo de 59 anos. “Este perfil de aumento quanto à idade nos leva a uma hipótese de que, neste período de 2021, o aumento nas faixas etárias mais jovens pode se relacionar às aglomerações em festas ou viagens. Também, muito provavelmente, pode estar relacionada às saídas na busca de sustento econômico, principalmente entre os de 20 a 39 anos, que representa a população economicamente ativa, e sem o auxílio emergencial ausente neste momento”, diz trecho do Infocovid.